Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 14/10/2021

A indústria cultural, postulada por Adorno e Horkheimer, transforma os meios de comunicação e os costumes em mercadorias. Com isso, atualmente, tornou-se comum a ostentação de jóias e marcas famosas de roupa em videoclipes e letras de músicas, impondo implícitamente essas aquisições como sinônimos de sucesso, e instigando o espectador a querer possuir os mesmos bens, e mostrar nas redes sociais para se promover, o que acaba movimentando o mercado capitalista e trazendo cada vez mais visibilidade aos bens de consumo. Dessa forma, problemas como consumo desenfreado e excesso de exposição afetam a mentalidade de enorme parte da população brasileira.

Nessa perspectiva, o excesso de consumo e a necessidade de aderir aos estereótipos da sociedade atacam diversas pessoas, que em sua grande maioria são adolescentes em fase de aceitação e revelação pessoal. De acordo com o jornal “O Retrato”, cerca de 60% das pessoas que excederam seu limite financeiro gastaram com roupas e calçados. Dessarte, a necessidade de estar “na moda” acaba por ser mais importante do que o sustento e condição de vida pessoal. Não obstante, o funk e o rap ostentação estão com mais visibilidade do que nunca, e como suas músicas usualmente atingem as classes médias e baixas da população, fenomênos de exibicionismo com dívidas tornam-se frequentes.

Outrossim, a exposição nas redes sociais buscando sucesso e gratificação contribui com a disseminação dessas tendências, atingindo um número cada vez maior de indivíduos. Segundo o depoimento que o empresário Eduardo Muller deu ao “G1” a população tem necessidade de gastar, mas principalmente mostrar aos outros que gastou. A medida que o “ter” vale mais que o “ser”, acaba-se tendo uma sociedade vazia e sem príncipios, colaborando para a rotulação e discriminação entre os seres humanos, além de levar aqueles que não tem condições a miséria.

Em suma, faz-se mister a implementação de medidas que eduquem a população quanto ao consumo e exposição. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável por gerir os assuntos referentes a educação, fornecer  educação financeira aos estudantes por meio de palestras gratuitas e acessíveis com especialistas. De forma análoga, o Governo Federal, por meio de uma parceria com a mídia, promover doações de roupas e acessórios com a finalidade de que uma menor porcentagem da renda seja destinada a luxúria. Além disso, têm de se fazer presentes campanhas de consumo consciente, buscando auxiliar o indivíduo quanto a suas despesas. Sendo assim, pode-se driblar uma parte significativa das desavenças ocasionadas pela indústria cultural a fim de construir uma sociedade de consumo consciente.