Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 26/10/2021

“O homem é a medida de todas as coisas.” Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano, em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente à ostentação no século XXI, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, os valores atuais são alusivos ao luxo e a ostentação, sendo um problema a ser resolvido, isso porque são visíveis a criação de um exibicionismo banal, que deturpa completamente a realidade, trazendo prejuízos a vida do indivíduo,

Em primeira análise, convém destacar que, no final dos anos 70, emergiu o termo “consumo colaborativo”, apoiado nas ideias do sociólogo Amos Hawley, defensor da instauração de uma sociedade organizada em comunidades urbanas. Sob essa ótica, o comprar cede lugar ao alugar, compartilhar, emprestar, de modo que as relações tradicionais de consumo são impactadas à proporção que o senso de propriedade comunitária floresce nas novas interações humanas. Contudo, essa proposta fica somente na teoria, uma vez que na prática, a sociedade hodierna é marcada pela devoção ao luxo, exibição de realizações, posses e a ostentação. Em virtude disso, é natural que o exibicionismo traga consequências financeiras desagradáveis, como demonstra um levantamento feito pelo Serasa que identificou que mais de 60 milhões de brasileiros estão inadimplentes e, segundo o SPC, 7 em cada 10 brasileiros deixaram de pagar alguma conta ou atrasaram pagamentos em 2017.

Ademais, o marketing e a propaganda tem a função de estimular o desejo das pessoas pelo consumo, o que não pode ser visto como algo completamente prejudicial, desde que seja moderado, de que não extrapole a capacidade financeira do consumidor e nem tenha na sua origem o simples intuito de sustentar aparências. Com isso, segundo o físico Albert Einstein, a verdadeira fonte de todos os males é o capitalismo. Nessa perspectiva, em uma sociedade cada vez mais capitalista e competitiva, de forma que o sistema valoriza o aspecto material, onde o ter para muitas pessoas possui maior importância que o ser, fazendo com que os valores estão sendo cada vez mais invertidos. Logo, fica claro, que a ostentação é marcado como um valor no século XXI, pela naturalidade com que ostentar riquezas e luxos é notório no país.