Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 26/10/2021
Frente a uma básica análise dos meios de comunicação e redes sociais é de fácil observação o crescimento da ostentação enquanto valor na sociedade brasileira. Essa ideologia do consumo e da ostentação cresce devido a características comuns às sociedades pós-industriais como o Brasil.
Segundo o filósofo francês Pierre Bourdieu, pessoas tendem a gir de modo a se encaixar na ideologia “mainstream” do meio no qual vivem. Através dessa dinâmica pode se explicar a causa da crescente cultura da ostentação no país, visto que a própria estrutura econômica do Brasil, enquanto criadora de ideologia, favorece o consumo exagerado como um símbolo de riqueza, sucesso, felicidade e poder. Assim, a ostentação surge como um processo de segregação de quem não tem e de aumento da autoestima de quem tem grande poder aquisitivo.
À vista disso, é possível traçar um panorama das consequências dessa mentalidade. Segundo Lipovetsky, a sociedade do consumo está intimamente ligada com uma visão totalizante sobre o mundo, ou seja, essa ideologia da ostentação afasta o sujeito de todas as dimensões da vida, fazendo com que ele observe a existência de uma maneira mercantil destruindo a natureza ao seu redor e afastando-se da sua dimensão espiritual e natural.
Assim, o caráter obnóxio da ostentação no Brasil fica evidente, ao colocar o indivíduo numa posição alheia ao patrimônio natural e espiritual da sua terra. Portanto, as agências de mídia devem, por meio de uma mudança na sua programação, que deve evitar propagar essa vanglorização do consumo, diminuir a ideologia da ostentação no país, a fim de gerar um estilo de vida menos mercantil, colonizador e nocivo à natureza por parte do indivíduo.