Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 03/11/2021

Há alguns anos, a dupla Munhoz e Mariano ficou conhecida por sua música “Camaro Amarelo”, seu enredo girava em torno de uma vida luxuosa, com mulheres, carros e dinheiro, ela teve mais de um milhão de acessos. É evidente que a ostentação, a cada dia mais ganha destaque entre os jovens, principalmente aqueles das periferias do país, além de ser vista como um sinônimo de felicidade e “glamour”. Dentre as causas dessa realidade, encontra-se: necessidade de “fugir” de realidades e de ser visto.

Nesse contexto, é evidente que viver em contextos de extrema desigualdade é difícil, então buscar maneiras de fugir desse ambiente caótico e desestabilizado, pode parecer instigante para muitos jovens brasileiros. Essa efemeridade é vista no filme Cinderela, no qual uma moça abastarda foge por uma noite para viver o sonho de ir à uma festa no palácio com um vestido glamuroso, pois apesar de não solucionar seus problemas, momentos como esses são “mágicos”. Logo, apesar dessa solução ser passageira e ineficaz a longo prazo, para alguns ela pode trazer felicidade.

Além disso, a necessidade de ser visto é fortemente influenciado por uma sociedade que mostra constantemente na mídia, vidas luxuosas e inalcançáveis. No século XXI, as redes sociais são minimamente elaboradas – por meio de dados, para incentivar essa vida luxuosa que influencers possuem, dessa forma pessoas fazem dívidas exorbitantes, pois mostrar uma vida minimamente luxuosa, com joias e produtos caros é mais instigante que preocupar-se com as consequências. Esse contexto está presente em uma recente pesquisa realizada pelo Jornal Retrato, no qual 36% dos brasileiros compram sem ter dinheiro para pagar.

Dessa maneira, a vivência em sociedades que incentivam padrões inalcançáveis em realidades fortemente desiguais é problemática. Assim, cabe ao governo federal e seu financiamento ao Ministério da Educação uma maior inserção desses jovens na educação, por meio da construção de escolas de nível médio e primário, na Rocinha-RJ e Sol Nascente-BR as maiores favelas do Brasil, segundo dados do G1. Deste modo, entregar o “material” para estes jovens mudarem sua realidade é o primeiro passo, pois, assim eles irão entender que a maioria desses padrões sociais presentes nas mídias são falsos, e dessa forma, “ostentar” perderá seu encanto. Pois, segundo Maquiavel uma mudança sempre deixa o caminho aberto para outras.