Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 17/11/2021
Com o advento da revolução industrial, o sistema de produção capitalista consolidou-se, de tal forma que o consumo de bens e serviços aumentou exponencialmente. Nesse tocante, a temática da ostentação ganha relevância, sendo que este é um valor existente há séculos e que perdura sob novos aspectos.
A princípio, é importante mencionar que, no contexto hodierno, os valores sociais possuem alta dinamicidade, devido ao intenso fluxo de informações. A despeito disso, vale ressaltar que a questão da ostentação é intrínseca as sociedades ocidentais, de modo a assumir diferentes expressões a depender da época. Assim sendo, cabe citar a obra Escravidão de Laurentino Gomes, na qual se relata diversas formas de ostentar, utilizadas pela burguesia no Brasil colônia, como esculturas feitas de açucar, assim como coleções de peles de animais.
De maneira similar, parte da população contemporânea adere à ostentação, de tal sorte que a maior acessibilidade a diversas marcas viabilizou a adoção desse valor por todas as classes. Destarte, o fetichismo pela mercadoria, como observara Karl Marx, fomenta o desejo de ter, não obstante a inutilidade do bem. Nesse aspecto, o prazer em utilizar algo vangloriado pelas mídias sobrepõe à humanidade, haja vista a indiferença perante as mazelas sociais, consoante ao pensamento do pastor John Piper, “a marca da cultura do consumo é a redução do ser para o ter”.
Portanto, verifica-se que a ostentação se mantém há séculos nas sociedades ocidentais, de modo que tal valor tornou-se mais abrangente na contemporaneidade. Nesse sentido, a óptica do consumo deve ser desestimulada, sendo imprescindível que o Ministério das Comunicações regulamente o setor de propagandas, com o fito de limitar a transmissão de anúncios nas grandes mídias em horários de menor audiência e em menor tempo. Tal medida faz-se fulcral, pois, além do modo de produção vigente ser insustentável, o bombardeamento de propagandas estimula o consumo de maneira impulsiva e - majoritariamente - desnecessária.