Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 19/11/2021
No ano de 1929, o Estados Unidos da América sofreu com uma das maiores crises da história, a qual só foi possível, graças a cultura do consuminsmo que foi disseminada pelo governo na época do alto crescimento econômico. Porém, nos dias atuais, a improbidade administrativa dos gestores e a negligência da sociedade ocorrem também da realidade brasileira.
Nesse contexto, é válido ressaltar que o incentivo ao consumismo se deve a questões políticos-estruturais. Tal conjuntura pode ser fundamentada pelo portal de notícias “Estadão”, o qual revela que no ano de 2020, as propagandas direcionadas ao público infantil cresceram em cerca de 210% nas redes socias, ou seja, mesmo os gestores tendo recursos políticos, eles não apresentam um projeto satisfatório para reduzir o entrave. Dessa forma, por não ter um controle dos comerciais infantis, as crianças entram em contato com a glamurização do produto de forma prematura, o que pode acarretar em problemas nas suas vidas pessoais e economicas no futuro.
Observa-se, ainda, que parte da sociedade não tem contestado o aumento da ostentação entre as pessoas, o que mostra uma banalização daquilo que é negativo. Nessa lógica, tal contexto está associado às ideias da filósofa Hannah Arendt, posto que, devido a um processo de massificação cultural, a população tem perdido o seu senso crítico. Sob esse viés, nota-se que, devido à assiduidade de novelas e séries que glamurizam a compra de objetos para alcançarem algum tipo de felicidade, a sociedade passa a normalizar tal circunstância. Dessa forma, por não terem de uma orientação, muitos brasilerios acabam se endividando, a fim de alcançarem algum tipo de reconhecimento social.
Torna-se evidente, portanto, que a luta contra a ostentação apresenta entraves que necessítam ser revertidos. Logo, é necessário que o estado crie um órgão autônomo, para que possa fiscalizar propagandas direcionadas ao público infantil, por meio da criação de um disque denúncia focado nos pais. Dessa forma, o combate seria mais assertivo e aumentaria as chances dos jovens não serem influenciados pela cultura da ostentação. Além disso, os veículos midiáticos podem conscientizar a população, por meio de propagandas ministradas por profissionais de referência no minimalismo, a fim de mostrarem os benefícios que o consumo consciente pode trazer na vida pessoal e financeira.