Ostentação: um valor do século XXI?
Enviada em 30/08/2022
No filme “Click” a história fatídica do protagonista tem seu início ao presenciar a competição de ostentação de uma criança da vizinhança com o seu filho, desta forma, entende-se a persuasão dos hábitos de extremo consumo como um jogo de baixo nível intelectual, totalmente baseado em bens materiais. Por isso, a ostentação é fruto de uma base moral e ideológica enfraquecida, e, para mudar a direção deste tipo de relação social, é necessário melhorar o nível de conhecimento e percepção dos jovens. Assim, a transformação poderá ser realizada por meio de um plano básico de ensino, o qual, terá, utilizando a filosofia, o enfoque de prepará-los para a vida de uma maneira profunda e substâncial.
Desta maneira, o filósofo alemão Georg Hegel concluiu em seus estudos que a organização social é apoiada nas relações de poder, ou seja, os cidadãos sempre estarão em constante tentativa de manter a superioridade uns para com os outros, fato este, inevitável. Porém, as relações de poder podem ser guiadas para que sejam manifestas valorizações afetivas e intelectuais, contrárias à opulência e ao consumismo.
Ademais, os costumes capitalistas, como a ostentação e a luxuosidade, permanecem implacáveis como as principais causas da destruição do meio ambiente em todo o mundo, dado presente no relatório de 2019 da Onu Meio Ambiente, sobretudo ao abordar a renovação de recursos naturais, severamente afetada pelo ritmo de compra e descarte mundial de bens de consumo.
Portanto, frente à problemática de nível global criada pelas culturas exibicionistas, faz-se necessária uma ação guiada pelo Ministério da Educação, para que acrescente no plano nacional de ensino o aprofundamento em metodologias filosóficas, visto que, tais conhecimentos trazem aos seus estudantes a visão da razão da própria existência e a criação de relacionamentos mais complexos. Ação que, além disso, deverá ser realizada com a contratação de mais professores de filosofia, pois, faltam profissionais em grande parte das escolas. Deste modo, os comportamentos e culturas frutos da ostentação serão lentamente substituídos por relacionamentos mais ricos em sustentabilidade e fraternidade.