Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 01/05/2023

Simplificadamente, podemos definir valores como um conjunto de preceitos que orientam a vida em sociedade. Nesse sentido, devido a sua centralidade no século atual, a ostentação – que consiste em expor luxo e consumismo – apresenta-se como um valor. Essa problemática está ligada à conversão dos produtos em entidades simbólicas e em ferramentas de afirmação, cabendo, por isso, sua discussão ampla.

Cabe analisar, inicialmente, que o processo de endeusamento das mercadorias exacerba o desejo de possuí-las. Isso está relacionado ao que o sociólogo Karl Marx chamou de fetichismo, segundo o que os objetos são imbuídos de uma importância que extrapola sua utilidade, passando a dispor de uma forte simbologia atrelada ao de pertencimento. Assim, os indivíduos buscam se encaixar no seio social através do consumo de determinados itens, o que os torna parte de um todo intimamente ligado ao capital.

Para além disso, a posse de certos bens em um mundo regido pelo capitalismo é identificada, na esfera coletiva, como sinônimo de poder. Essa interpretação alimenta a necessidade não apenas de possuir, mas de exibir aquilo que se tem, o que está em conformidade com a ideia de sociedade do espetáculo do estudioso Guy Debord, e aparece como forma de autoafirmação por parte daqueles que ostentam. Desse modo, mostrar os dispêndios é um modo de os sujeitos imporem o seu poderio dentro da lógica de mercado.

Nota-se, portanto, que a ostentação tem gerido grande parte das interações sociais. Nesse âmbito, para atenuar a significância do consumo, a escola deve buscar reorientar os valores humanos dos estudantes. Isso deve ser feito mediante a realização de palestras mensais que abordem temas como empatia, respeito e solidariedade, enfatizando sua extrema relevância para a vida em comunidade. Com isso, será possível formar jovens que priorizem os laços e vínculos entre as pessoas, o que favorecerá uma vida mais harmônica e feliz para todos.