Ostentação: um valor do século XXI?

Enviada em 05/09/2023

Desde os primórdios da existência humana, a “ostentação” sempre foi algo bem presente. Na Idade Média, a classe burguesa sempre mostrou o que tinha por meio das roupas, da alimentação, das casas, dos cavalos vistosos. Nos tempos atuais, tal realidade se mantém idêntica, com a diferença de que agora, quem não tem nada, apresenta uma fachada glamorosa. Sendo assim, a ostentação atual resulta, na maior parte das vezes, em altas dívidas para uma parcela significativa da sociedade e um grande comglomerado de indivíduos sem perspectivas de futuro.

O jornal Correios Brasiliense publicou uma reportagem há alguns anos em que apontava uma porcentagem de 70% de pessoas individadas, com uma despesa mensal superior as suas entradas, sendo a diferença trabalhada com cartões de crédito e empréstimos, tudo para manter o celular do ano, o carro do ano e os encontros sociais mensais.

Jonh Piper disse que a marca da cultura de consumo é a redução do “ser” par o “ter”, e isto é visto no contexto atual, onde a grande maioria se preocupa com o que tem e não com o que é. Deste modo, as pessoas hoje correm para manter a necessidade, o prazer do agora, e deixam o futuro para ser trabalhado quando ele chegar. O fato da sociedade, em sua grande maioria focar no momento, resulta em pouca mão de obra qualificada e em indivíduos sem bases financeiras para uma emergência ou para um futuro assegurado.

Sendo assim, a grande questão em cheque não é ostentar, mas como ostentar. Mostrar o que tem, usurfruir do bom e do melhor, não é proíbido. O problema é quando se busca realizar tal feito sem ter estrutura financeira e social para isto. Assim sendo, cabe em especial ao Governo a tarefa de oferecer a população o acesso a educação e planejamento financeiro nas escolas, do ensino primário ao médio por meio de projetos de leis específicos. É também importante ressaltar que, no circulo familiar, a responsabilidade de se preocupar com o futuro cabe aos pais transmitir aos filhos, de modo que, ao se ostentar algo, que seja mostrado não apenas uma fachada, mas uma realidade de vida e propósitos.