Paradoxo da Tolerância: como lidar com discursos intolerantes na sociedade contemporânea?
Enviada em 28/03/2024
Em seu livro “A Casa no Mar Cerúleo”, TJ Klune aborda a tolerância e aceitação como formas de resolução de conflitos sociais. Nesse sentido, o cenário político e social brasileiro se encontra em um paradoxo: como lidar com discursos intolerantes na sociedade contemporânea? Dessa forma, é necessário discurtir o princípio da intolerância e a inércia estatal na resolução do problema.
Primeiramente, é necessário compreender que o princípio da tolerância não deve ser aplicado de forma literal, ou seja, não deve abranger discursos que firam o princípio em si. Nesse contexto, Simone Beauvoir afirma que " o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles". Apesar do fato que discursos de ódio que instigam a marginalização de grupos sociais e perpetuação de estigmas, como a o racismo, sexismo e homofobia, serem normalizados com a justificativa da “liberdade de expressão”, na prática, se configuram um empecilho à democracia e são fundamentalmente opostos aos ideais igualitários invocados.
Ademais, o governo carece de medidas eficazes relacionadas ao combate dos discursos intolerantes que permeiam a mentalidade coletiva brasileira. Nesse sentido, o filósofo contemporâneo Michel Focault defende que é papel do Estado assegurar a igualdade de todos os cidadãos através do combate ativo a todos os fatores que prejudicam o bem-estar geral. De fato, o ideal do filósofo não se concretiza na prática, uma vez que o governo federal não apenas permite, como toma decisões enviezadas por discursos de ódio, a exemplo do projeto de lei que visa poribir o casamento homoafetiovo, atualmente em análise pela Câmara dos Deputados.
Diante do exposto, urge a necessidade de intervenção Estatal. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, juntamente ao poder público, orientar a população a não praticar o paradoxo da tolerância, ou seja, não aceitar discursos antidemocráticos. Tal orientação deve se concretizar por meio de palestras, que contem com a partici-pação de sociólogos, filósofos especializados em ética, além de profisssionais juristas de destaque. Dessa forma, a intolerância será dessmistificada e combatida, e um Brasil mais igualitário e definitivamente tolerante será construído.