Paradoxo da Tolerância: como lidar com discursos intolerantes na sociedade contemporânea?

Enviada em 29/03/2024

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelos discursos intolerantes é, com frequência, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as principais causas dessa problemática, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a falta de debates.

Sob esse viés, é importante destacar que a inoperância estatal é uma das principais causas da ocorrência desse problema. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por promover o progresso a toda coletividade. Essa afirmativa não ocorre no Brasil, pois a ineficácia do poder público sobre essa temática cria um ambiente favorável para as falas de pessoas não tolerantes, dificultando a evolução coletiva da sociedade brasileira. Logo, é perceptível que a falta de atuação eficaz do governo continua estendendo esse impasse.

Outrossim, é válido ressaltar que a falta de debates potencializa esse entrave. Isso porque, de acordo com a Teoria da ação comunicativa do sociólogo Habermas, o poder de transformação social é gerado através do diálogo. Isso demonstra que a falta de conversação sobre os assuntos gerados pelos intolerantes faz com que esse empecilho não consiga ser solucionado. Dessa forma é intolerável que essa falha social se perpetue.

É evidente, portanto que medidas devem ser tomadas para acabar com os discursos intolerantes cometidos no Brasil. Por isso o Governo Federal juntamente com o Ministério dos direitos humanos e da cidadania- responsável pelas políticas públicas de promoção e proteção dos direitos humanos no Brasil- devem criar campanhas de conscientização, por meio da realização de palestras e pôsteres em redes sociais criados por entendedores no assunto com o objetivo de diminuir os discursos de ódio, para que dessa maneira a intolerância não seja mais uma realidade brasileira.