Paradoxo da Tolerância: como lidar com discursos intolerantes na sociedade contemporânea?

Enviada em 11/04/2024

Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Brasil, as minorias sociais compõem um grupo altamente desfavorecido no tocante à discursos intolerantes. Nesse contexto, torna-se evidente o legado de injustiça que estes sofrem, bem como a carência de representatividade.

Outrossim, a impunidade ainda é um grande impasse à permanência de expressões discriminatórias. Tristemente, a existência do preconceito é reflexo da falta de políticas judiciais que possam proteger as vítimas e punir os agressores. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras à intolerância.

Em segundo plano, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por um modelo excludente imposto pelos grupos dominantes, na qual o ser humano que não atende aos requisitos estabelecidos sofre uma periferização social. Assim, ao analisar a sociedade pela visão de Lévi-Strauss, nota-se que as minorias sociais não são valorizadas de forma plena, pois não são referenciados de maneira ampla na cultura mundial. Por conseguinte, os grupos são prejudicados pela falta de visibilidade, de modo que não estão na visão geral da maior parte da população - que não entende suas dores e necessidades.

Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto, a implementação de debates frequentes nos meios de comunicação de massa, responsáveis pela disseminação de informação, sobre a importância da pluralidade social para o combate deste preconceito. Por fim, é importante que o corpo social pátrio se encare como responsável pela problemática, pois, como defendeu Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo”.