Paradoxo da Tolerância: como lidar com discursos intolerantes na sociedade contemporânea?

Enviada em 16/04/2024

“A tolerância ilimitada levará ao desaparecimento da tolerância.” A frase, do filósofo austríaco Karl Popper, exprime a ideia de que à tolerância ilimitada guia a extinção da tolerância e que não se deve tolerar a intolerância. Analisando esse conceito atrelado à contemporaneidade, nota -se que quando se refere em como lidar com discursos intolerantes na sociedade entra em cena o paradoxo da tolerância no qual percebe-se que também está diretamente relacionado à ideia da liberdade, que pode ser entendida como a satisfação de necessidades individuais e que possuem limites de respeito.

Sob esse viés, é possível analisar que sem a participação do Estado para assegurar a liberdade política e a segurança são visíveis que discursos de ódio serão difíceis de combater, sendo assim evidentes os processos que embrionam os discursos intolerantes na sociedade contemporânea. Ademais, essa argumentação é sustentada quando diante do Governo Bolsonaro no qual o Estado apoiava e garantia discursos extremos que, por conseguinte, promoveram a falta de debate e liberdade para com os opositores, vindo de encontro com as ideias de Karl Popper que defende o discurso racional e abomina a censura.

Desse modo, é compreensível que a liberdade individual é o grande motor dos ideais de tolerância, uma vez que é na liberdade que moram os ideais coletivos. Além disso, esse pensamento deve ser ligado à ideia da liberdade de Hegel, no qual ele afirma que a liberdade não pode ser imposta, mas sim aperfeiçoada, esse aperfeiçoamento pode vir com o debate aberto e racional em uma sociedade plural e falibilista.

Portanto, devem ser feitas mesas de discussão abertas a população promovidas pelo Ministério da Justiça em associação com as Prefeituras de forma gratuita com uma linguagem acessível trazendo profissionais e personalidades das áreas de ensino da filosofia, sociologia e história com o objetivo de trazer um pensamento crítico ao corpo social e ao livre debate para que dessa forma, a sociedade possa se entender como unidade pensante atribuído de liberdade e direitos constitucionais.