Paradoxo da Tolerância: como lidar com discursos intolerantes na sociedade contemporânea?

Enviada em 05/06/2024

A partir do século XX, em decorrência da expansão do ideário democrático no mundo ocidental, fixou-se a liberdade de expressão com um direito inalienável. Em contrapartida, nota-se que esse novo paradigma sociocultural não se instalou isen-

to de turbulências - visto que há um enorme debate entorno de como lidar com os discursos intolerantes. Dessa modo, a fim de formular medidas profiláticas, deve- -se avaliar os seguintes sintomas da permanência desses patógenos no meio cultu-ral: a ameaça à existência de minorias e a atenuação da inteligência.

Diante desse cenário, evidencia-se que a violação existencial de grupos singulares depende da proliferação das narrativas preconceituosas. Isso porque, segundo o manual da Psiquiatria Clínica, a interlocução entre entidades sociais influencia os seus comportamentos. Nesse raciocínio, ao interagir frequentemente com declara-ções ofensivas, o indivíduo tende a adotar hábitos agressivos contra o alvo dessas alegações - o que pode culminar na prática da violência. Em paralelo, nota-se que a sociedade está imersa em um contexto comunicativo repulsivo aos grupos minori- tários. Logo, faz-se necessário coibir esses discursos para proteger esses coletivos.

Ademais, vale ressaltar que há um nexo causal entre a perda cognitiva e a into-lerância. A respeito disso, de acordo com o pensamento freireano, a aprendizagem fundamenta-se no diálogo entre pessoas com pensamento diferentes, uma vez que só se pode construir o conhecimento de modo coletivo e sobre diversas óticas. Nessa lógica, os intolerantes, por repelirem a coexistência comunicativa com o outro, perdem a capacidade de apreender a realidade integralmente. Dessa forma, é pertinente, para o enriquecimento intelectual, o combate ao preconceito.

Em suma, a sociedade contemporânea precisa elaborar caminhos para lidar com o discurso intolerante. Nesse sentido, demonstra ser dever do Estado, encarregado pela garantia dos direitos e deveres dos cidadãos, a erradicação da veiculação de ideias que atentem contra a plenitude alheia, por meio da regulamentação dos meios de comunicação, com o objetivo de assegurar a plena existência de todos. Além disso, cabe as instituições de ensino, responsáveis pela formação cidadã dos alunos, estimular a tolerância entre os estudantes, por meio de disciplinas de socialização, intuindo capacita-los a aprender com o outro. Assim, a crise atenuará.