Paradoxo da Tolerância: como lidar com discursos intolerantes na sociedade contemporânea?
Enviada em 02/07/2024
Na obra cinematográfica “Intolerância”, de 1916, existe repetidas vezes a imagem de uma mulher e um bebê, com a legenda “desde o berço, num pérpetuo balançar”, em referência as gerações que se sucedem. Embora a liberdade de expressão seja um direito individual, não pode servir de salvaguarda para a prática de atos ilícitos. Para tal, dois problemas fazem-se relevantes: inaptidade governamental e sistema educacional falho.
Enquanto o Estado, pelo artigo 5º da Constituição Federal, afirma que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”, tem-se, no entanto, o crescimento de tendências intolerantes, juntamente a disseminação de discursos de ódio, sem a devida punição. A saber, para a historiadora Lilia Schwarz, as instituições nacionais são lideradas, muitas vezes, pelo patrimonialismo, ou seja, pela cultura de gerir a máquina pública como patrimônio privado. Assim, a indubitável omissão estatal fere as garantias fundamentais, obstruindo o caminho ao bem-estar comum, perpertuando a dificuldade no combate a intolerância.
Similarmente, o sistema educacional falho também contribui no impasse. Sobretudo, quando a população não se prontifica no embate por falta de informação, em conformância com o que pode ser o discursos das massas. Segundo Carlos Drummond de Andrade, “a educação visa melhorar a natureza do homem”, logo, é crucial uma abordagem multissetorial, que envolva toda a sociedade e em âmbitos da educação formal, não formal e informal - desde a primeira infância até o ensino superior e a aprendizagem ao longo da vida. Nesse ínterim, a educação pode enfrentar as causas profundas do discurso de ódio e sensibilizar a população sobre as formas e as consequências prejudiciais.
Portanto, é imprescindível que o Estado combata a intolerância, por meio de leis e multas, com o intuito de punir os indivíduos que disseminam a violência. Ademais, o Ministério da Educação deve mitigar a inflexibilidade, por intermédio de aulas e palestras que considerem os legados nacionais e regionais relativos a injustiças e desigualdades históricas e contemporâneas, com a finalidade de assegurar a informação igualitária e redução da barbárie. Enfim, alcançar o respeito exigido no exercício da democracia.