Paradoxo da Tolerância: como lidar com discursos intolerantes na sociedade contemporânea?

Enviada em 09/09/2024

Na obra, “Ensaio sobre a cegueira”, o literato português José Saramago utilizou o conceito de “Cegueira social”, para criticar o quanto as pessoas vão se tornando cegas e individualistas no mundo contemporâneo. Na sociedade brasileira, entretanto, a crítica de Saramago é verificada nos discursos de intolerância e na potencialização dessa manifestação via redes sociais. Nesse sentido, a viabilização dessas forças ocorre devido a uma falta de estímulo ao debate de ideias nas escolas, além do uso político via redes sociais juntamente com uma fragilidade na aplicação das leis.

À frente, é preciso destacar que o raso debate público e o fortalecimento dos discursos de intolerância são produtos de uma omissão escolar frente à desvalorização da educação, uma vez que a escola prioriza o ensino objetivado ao mercado de trabalho. Essa escolha resulta em uma supressão do ensino voltado para questões do dia-a-dia, por exemplo, o estímulo à resolução de conflitos sociais através do debate. Essa reflexão é apoiada pelo pedagogo Paulo Freire, o qual caracteriza o espaço escolar como um ambiente que não prepara os indivíduos para o convívio enquanto membros de um complexo corpo civil.

Além disso, cabe apontar para a relação simbiótica entre agentes políticos que promovem discursos de intolerância e as empresas de tecnologia que atuam de forma ineficiente na identificação e no combate aos grupos de ideologias extremas. Nesse sentido, usuários dessas redes se sentem acolhidos para propagarem discursos de ódio com a certeza de que não serão punidos. Dessa forma, a falta de uma lei atual que impute as redes sociais, tal como a regulação das Big Techs, faz com que participantes de fóruns desses aplicativos se sintam legitimados.

Portanto, visando fortalecer a democracia, cabe ao Ministério da Educação potencializar o debate por meio da criação de matérias escolares que estimulem os estudantes ao desenvolvimento da resolução de conflitos por meio do debate de forma respeitosa. Somado a isso, cabe ao Congresso Nacional retomar o debate sobre a regulação das redes sociais juntamente com a intensificação da punição a agentes políticos que incentivam discursos de ódio, pois, só dessa forma, a sociedade brasileira será curada da “Cegueira Social” conceituada por Saramago.