Paradoxo da Tolerância: como lidar com discursos intolerantes na sociedade contemporânea?

Enviada em 03/11/2024

No filme O Planeta dos Macacos, de 1968, o astronauta Taylor viaja no tempo para uma terra habitada por símios falantes, que o perseguem por ser o único humano que fala. Do mesmo modo, o enfrentamento a discursos intolerantes na sociedade, desvenda um dos problemas imprescindíveis de serem discutidos na contemporaneidade, o paradoxo da tolerância. Nesse contexto, torna-se indubitável a averiguação desse dilema, visto que afeta a manutenção da democracia e a progressão social.

Karl Popper, em seu livro A Sociedade Aberta e seus Inimigos, defendia que a sociedade deveria lutar contra a intolerância, mas não censurá-la, pois a coletividade deveria ter consciência dessa para poder combatê-la. Bem como ocorreu nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em que os internautas utilizaram das imagens postados pelos próprios criminosos na internet para identificá-los. Uma vez que as plataformas de rede sociais não bloquearam os vídeos e perfis dos usuários, apesar do incentivo à violência, facilitou as condenações e prisões dos mesmos.

Em contrapartida, o ambiente digital sem legislação levou a um crescimento exponencial no número de políticos reacionários eleitos no início da década de 2020 em todos os países do mundo. Por consequência, o direito ao aborto, garantido desde o século passado nos EUA, foi encerrado em muitos estados, após uma decisão histórica da Suprema Corte. A fim de agradar o eleitorado conservador, os governantes modificam leis e funcionamento de órgãos públicos, restringindo as possibilidades de desenvolvimento social e cultural.

Portanto, é irrefutável reconhecer a necessidade do debate sobre os limites da tolerância numa sociedade em constante mudança tecnológica. Para que isso ocorra, o Ministério da Justiça em parceria com as empresas detentoras das mídias sociais, deve desenvolver mecanismos para desestimular a radicalização dos usuários, por meio de campanhas de vídeos com o intuito de promover ambientes seguros para a discussão de ideias de diferentes espectros políticos. Visando garantir o direito à escolha de campos societários de todos.