Perigos da obsolescência programada
Enviada em 03/09/2019
A produção em série acometida durante a Revolução Industrial, possibilitou a estruturação do consumo em massa. Nesse contexto, hodiernamente, a população se encontra em uma obsolência planejada, consumindo de forma exacerbada e inconsequente, acarretando em danos irreversíveis ao meio ambiente. Dessa forma, é fundamental analisar as causas que fazem dessa problemática uma realidade.
A princípio, a maioria dos produtos eletrônicos possuem o tempo de vida limitado à tecnologia. Segundo Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida”, na era pós-moderna, nada foi feito para durar. A perspectiva do sociólogo é evidenciada na atualização do produto de uma empresa, em que os consumidores tendem a adquirir a nova versão e abandonar a anterior, mesmo se a antecedente estiver em um bom estado, como constatou a Gazeta do povo. Como consequência disso, temos uma sociedade cada vez mais ativa ao consumo descartável de Bauman. Ademais, a aquisição efêmera acarreta em implicações ambientais, visto que, muitas vezes, tal obsolência é feita de forma imprudente. Parafraseando o ambientalista Paul Watson, viver em harmonia com o meio ambiente é um ato de inteligência. Em contraposição à perspectiva de Watson, observamos muitas empresas degradando o meio ambiente no processo de fabricação de produtos que demandam de diversas matérias-primas e compostos químicos nocivos ao ecossistema, como apontou Portal Ambiental Legal. Consequentemente, temos o aumento da degradação ambiental sendo justificado pelo avanço tecnológico.
Em suma, a obsolência programada é marcada por fragilidades. Para atenuar essa problemática, é necessário que o Poder Público por meio do Ministério do Meio Ambiente arroje medidas de sustentabilidade, como a exigência do processo de logística reversa aos fabricantes com o intuito de reduzir a utilização de novas matérias-primas. Somando-se a isso, é necessário que a população exija engajamento ambiental das empresas por meio das redes sociais, compartilhando a necessidade de projetos para consumir menos água e produtos químicos na fabricação. Talvez, dessa forma, seja possível conciliar o avanço tecnológico com o consumo sustentável, consciente e inteligente de Watson.