Perigos da obsolescência programada

Enviada em 25/09/2019

A partir da década de 1970, o sistema Toyotista de produção proporcionou mudanças no desenvolvimento dos produtos que passaram a favorecer os interesses dos fabricantes. Assim, umas das principais medidas adotadas foi a obsolescência programada a qual tornou as mercadorias cada vez mais descartáveis. Nesse sentido, de forma simplificada, pode-se associar esse panorama à profundas mudanças na estrutura social e ao aumento dos impactos ambientais.

Em primeira análise, é importante questionar: até onde as empresas são livres no que se refere aos seus impactos na sociedade? Para Adam Smith, economista considerado o pai do liberalismo, o Estado não deve interferir nas atividades econômicas. No entanto, diante da obsolescência programada -redução do prazo de duração da mercadoria na fabricação, bem como mediante ao bombardeio constante de publicidades e propagandas, os valores humanos foram alterados. Nesse viés, conforme o pensamento do sociólogo americano Richard sennett: “o que aproxima a sociedade moderna são os bens de consumo.” Tal que, o indivíduo é incentivado a comprar incessantemente, até mesmo o que ele não precisa. Logo, é importante que o governo elabore restrições para evitar que a liberdade a ponto de controlar a vida útil dos produtos não se torne uma opressão.

Outrossim, é válido ressaltar que programar uma mercadoria para diminuir o tempo dela se tornar obsoleta causa impactos irreversíveis para o meio ambiente. Nessa ótica, uma vez que apenas 10% dos resíduos gerados nas cidades brasileiras são reciclados, conforme dados do Governo Federal, é necessária a impetuosa extração da matéria-prima cuja maior parte não é renovável. como resultado, ocorre o esgotamento desses recursos, como na Europa após a Primeira e Segunda Revolução Industrial, o que a fez tornar-se dependente da importação de produtos primários. Além disso, vale ressaltar que após o fim vida útil, bilhões de toneladas de resíduos são descartadas, a maioria das vezes, de forma irregular o que causa graves danos à natureza como por exemplo, pela contaminação de rios, solo e lençóis freáticos.

Por conseguinte, urge a necessidade de medidas para atenuar os efeitos da obsolescência programada que surgiu em consonância com as mudanças advindas do Toyotismo. Assim, O governo Federal deve criar um órgão público direcionado para fiscalizar o uso abusivo de medidas de favorecimento de comércio pelas empresas, por meio da estipulação de uma vida útil mínima, tal como com o incentivo a empresas que investirem em pesquisas para que seus produtos durem mais. Associadamente, os agentes públicos devem amplia a coleta seletiva e reciclagem o que permitirá tanto que menos matéria prima seja retirada da natureza quanto diminuirá o depósito irregular dos resíduos.