Perigos da obsolescência programada

Enviada em 04/10/2019

A crise de 1929,ocorreu devido ao aumento da produção de bens de consumo duráveis,os quais geraram grandes estoques e,consequentemente,o supersaturamento no mercado.Essa conjuntura,fez com que surgisse um novo modelo de produção mais flexível e voltada para o consumo de produtos obsoletos.Hodiernamente,é evidente os impactos causados pela obsolescência programada tanto no meio ambiente quanto no âmbito social.Nesse contexto,urge analisar como à lógica do sistema capitalista e a negligência governamental impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar,a princípio,que a obsolescência programada está intrinsecamente relacionada ao capitalismo.Consoante ao sociólogo polonês Zygmunt Bauman,em sua obra “Vida para consumo”,a condição fundamental para a existência humana é o consumo.Sob tal ótica,na sociedade pós-moderna as pessoas são movidas a consumirem muitos produtos obsoletos,os quais são adquiridos por influência de uma lógica de mercado que dita as regras ao produzir objetos com prazo de validade.Dessa forma,a superprodução de bens não duráveis corrobora para aumento da procura por novos produtos de “última geração” promovendo,assim,a cultura do descarte de itens ditos como ultrapassados.

Outrossim,vale salientar a ineficácia das políticas públicas em promover informações a sociedade civil acerca do consumo dos itens obsoletos.De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu - uma instituição sem fins lucrativos - 76% dos brasileiros não praticam o consumo consciente.Nesse viés,o Estado não atua de maneira efetiva ao aplicar leis específicas as empresas que abusam da publicidade para impulsionar o consumidor a obter produtos com vida útil,visto que uma parcela da população não possui conhecimento suficiente para evitar possíveis manipulações direcionadas a consumo em massa de objetos pouco duráveis.Por conseguinte,por falta de senso crítico sobre os danos causados o corpo social fica suscetível a uma manipulação comportamental influenciada pelo setor setor empresarial.

Infere-se,portanto,que é imprescindível medidas para minimizar os impactos causados pela obsolescência programada no âmbito social.Logo,cabe ao Ministério da Educação - ramo do Estado responsável pela formação civil - promover palestras e debates nas escolas,desde as séries iniciais,os quais elucidem aos docentes acerca da influência empresarial em proporcionar uma cultura de bens obsoletos.Isso deve ser feito por meio profissionais com experiência em análise comportamental da sociedade,como psicólogos e sociólogos,a fim de instruir os alunos a terem um consumo mais consciente.