Perigos da obsolescência programada

Enviada em 10/10/2019

O filósofo Roger Scruton, no livro Filosofia verde, escreve que nenhum projeto de larga escala terá êxito, caso não esteja enraizado em ações de pequena escala. Assim pode ser entendido a necessidade de reduzir o consumismo para combater os perigos da obsolescência programada. Esse problema ocorre devido à grande rotatividade de produtos no mercado. Verifica-se, então, a criação de uma necessidade de troca por um produto mais novo, mesmo quando o produto atual ainda não apresenta defeitos técnicos. Dessa forma, dentre os perigos da obsolescência programada estão: o aumento da geração de lixo e a redução da biodiversidade.

A priori, a obsolescência aumenta a geração de lixo. Isso ocorre porque o grande número de objetos descartados resulta numa quantidade imensa de resíduos sólidos, a qual tem destinos variados, incluindo lixões, aterros sanitários, reciclagem e oceanos. Assim, a indústria da tecnologia produz, sozinha, 41 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, de acordo com uma pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Nesse contexto, esse comportamento pode ser confrontado com a abordagem sociológica de Anthony Giddens, na qual debate sobre tempos líquidos e relações superficiais, ou seja, atualmente, nem as relações pessoais, nem os objetos são construídos para durar.

A posterior, a obsolescência programada provoca interferências ambientais, como a redução da biodiversidade. Nesse cenário, foi divulgado na Revista Exame que 1,5 milhão de aves, peixes, baleias e tartarugas morrem ao ano, por causa de dejetos plásticos encontrados nos oceanos. Tal pesquisa demonstra uma negação do que o sociólogo Hans Jonas escreve sobre “ética da responsabilidade”, em que a geração atual é responsável por manter condições favoráveis à vida das gerações futuras. Então, o consumismo (consumo ilimitado de bens duráveis)  é um problema social e um ato irresponsável do ser humano.

Portanto, é necessário que o governo, através do Ministério da Economia, reduza impostos para empresas com responsabilidade ambiental comprovada, como aquelas que investem em reciclagem e redução de emissão de gás carbônico, por meio da isenção de alguns impostos nacionais, para que haja incentivo ao desenvolvimento econômico sustentável. Além disso, escolas de ensino fundamental devem construir a legitimação da proteção ambiental e redução do consumismo, por meio de jogos (virtuais ou físicos), rodas de conversas e palestras, para que haja a construção de uma cultura ambiental sustentável. Assim, pequenas ações podem reduzir os perigos da  obsolescência programada, no Brasil, e incentivar grandes projetos, como o desenvolvimento sustentável.