Perigos da obsolescência programada

Enviada em 12/10/2019

Na mitologia grega, o Rei Midas pede ao deus Dionísio um desejo que lhe dá o poder de transformar tudo que toca em ouro, porém a literalidade do que foi solicitado faz com que não sobre mais nada ao seu redor além de riquezas. Não distante do mito, na realidade contemporânea, muito se faz na busca de acumular capital, sendo os recursos naturais constantemente transformados em bens de consumo para saciar esse desejo de posse que pode levar em pouco tempo ao mesmo fim do conto. Portanto, é necessário combater os perigos gerados devido o uso excessivo de recursos naturais e a degradação do meio ambiente causada pelo acúmulo de lixo resultante desse processo.

Primeiramente, é necessário apresentar como o uso de recursos naturais é um reflexo da fetichização do consumo. Segundo o filósofo Guy Debord, as relações humanas estão permeadas não somente pela necessidade de possuir algo, mais também por a de parecer ter algo. Consequência disso, o indivíduo  na hora da compra não considera a qualidade do produto e sim o status social que este objeto lhe atribui, o que faz as empresas se aproveitarem desse comportamento produzindo itens como muita tecnologia, porém, com a vida útil extremamente baixa o que caracteriza a obsolescência programada. Logo, visualizando que é este o pensamento que contribui para inutilização de produtos, essa cultura de consumo deve ser repensada.

Além disso, é importante atentar-se que o acúmulo de lixo gera não somente problemas ambientais, como intensifica problemas sociais. Segundo o site G1, cerca de 90% do lixo eletrônico do planeta é encaminhado para aterros a céu aberto em países do continente africano, o que é um grande problema visto que boa parte dos territórios não tem condições econômicas para lidar com a situação. Portanto, é necessário que a Organização das Nações Unidas intervenha nessas relações abusivas por parte de nações industrializadas. Porque, segundo schopenhauer, é este indivíduo que atribui valor aos objetos, assim pôr a sua própria existência em risco por causa desse consumismo é incoerente.

Logo, devido a obsolescência programada acelerar o ritmo de consumo, é necessário que o governo tome atitudes para mudar o quadro atual. Portanto, é importante que o Ministério do Meio Ambiente, conjuntamente com a mídia, que é sem dúvida um veículo formador de opinião, alerte a população dos perigos desse consumo, por intermédio de investimentos em propagandas com conteúdo socioeducativo sobre os malefícios do consumo exagerado de produtos com fontes não renováveis. Com a finalidade de conscientizar os consumidores, o que consequentemente fará empresas assumirem posturas mais sustentáveis para atender a demanda. Para que, assim, essa realidade de consumo mude.