Perigos da obsolescência programada
Enviada em 22/10/2019
O modelo fordista entrou em crise durante a década de setenta, nesse mesmo período o Toyotismo se destacava no mercado, esse novo sistema produtivo baseava-se na diversificação e na baixa durabilidade dos produtos. Ademais, na pós-modernidade nota-se que o consumo é crescente e os produtos apresentam uma maior descartabilidade, o que gera danos ambientais, relacionados ao extrativismo e aumento da produção de lixo. Com isso, surge a problemática da obsolescência programada, que decorre, infelizmente, seja pela influência das novas relações sociais, seja pela manipulação das empresas.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que segundo pesquisas da ONU, realizadas em 2017, o Brasil produz 1,5 mil toneladas de lixo eletrônico anualmente. Evidencia-se, portanto, que o consumo vem crescendo no país e em decorrência o despejo de resíduos também, no entanto as novas interações sociais estão intensificando esse processo. De acordo com Zygmunt Bauman, o desenvolvimento tecnológico, aliado ao incentivo ao consumo desenfreado, resulta numa sociedade que anseia constantemente por novos produtos e informações. Em paralelo a isso, é notório que estamos deixando de lado real valor dos produtos e ignorando os impactos que uma compra pode gerar, o que facilita o descarte de mercadorias.
Cabe mencionar, em segundo plano, que para atender a esses novos padrões de consumo as indústrias realizam explorações excessivas de recursos naturais como base para a fabricação de novos produtos, o que causa diversos danos a natureza. Os pensadores da Escola de Frankfurt definiram o conceito de cultura de massa, sendo essa a difusão de um pensamento através da homogeneização da sociedade. Em analogia a essa concepção, observa-se que o mercado tenta padronizar as pessoas para que seja mais fácil promover seus produtos e disseminar a ideia de curta vida útil das mercadorias, naturalizando o seu descarte e consequentemente aumentando as vendas.
Infere-se, portanto, que é fundamental a criação de oficinas educativas, pelas prefeituras visando a elucidação das massas acerca do consumo sustentável e consciente, por meio de palestras de psicólogos e ambientalistas que oriente sobre os riscos do consumo e descarte em excesso. Além disso, é importante que o Poder Legislativo e o Ministério do Meio Ambiente elaborem leis que estipulem limites quanto a exploração de recursos naturais por parte das empresas, e que criem medidas que minimizem os efeitos das propagandas que visam incentivar o consumismo, em conformidade a essa mediada cabe ao Ministério Público fiscalizar e garantir que o mercado cumpra com as normas estabelecidas. Assim, poderemos mitigar os efeitos da obsolescência programada.