Perigos da obsolescência programada
Enviada em 22/10/2019
Zigmunt Bauman, ao dissertar sobre as relações humanas, afirma que o consumismo deliberado é fruto da irracionalidade e da perpétua insatisfação dos desejos pessoais dos indivíduos. Outrossim, a obsolescência programada – produtos com validade reduzida - é um dos fatores que também corrobora para o consumismo, tendo em vista o prazo de funcionamento dos produtos ser diminuído, o que leva os usuários a adquirirem novos. No entanto, as consequências ambientais advindas da obsolescência faz com que esta seja um problema no Brasil.
Primordialmente, a Revolução Industrial – datada no século XVIII – trouxe consigo inovações tecnológicas que afetaram o mundo todo, principalmente países emergentes, tendo em vista a instabilidade em que se encontravam. Mesmo essencial ao desenvolvimento tecnológico, a partir dela, novas inovações surgiram, como os eletrônicos e eletrodomésticos – itens de difícil descarte em países sem políticas efetivas de reciclagem - como o Brasil. Entretanto, na contemporaneidade, além dos entraves na reciclagem de materiais, há, também, a aceleração do processo de acumulação, visto que a obsolescência programada acentua o descarte de materiais em um curto espaço de tempo.
Ademais, além dos problemas ambientais, a obsolescência também intensifica o consumismo entre a população, uma vez que há a necessidade intrínseca da utilização de objetos eletrônicos em diversas áreas do cotidiano. Ao passo que a obtenção de produtos torna-se mais intensa, o comportamento da população também se altera e, consequentemente, das relações sociais, muitas vezes acometidas de compulsividade consumista, a sociedade estabelece paradigmas que impedem a boa convivência. Em suma, a obsolescência programada promove entraves sociais e comportamentais que, consequentemente, é prejudicial à harmonia da mesma.
Fica claro, portanto, que a obsolescência afeta setores econômicos e sociais no Brasil e, deve, por isso, ser amenizada. Desse modo, urge que o Governo Federal atue de forma efetiva na reciclagem e separação de materiais eletrônicos, por meio da criação de órgãos ambientais específicos que fiscalizem e regulamentem o descarte consciente, com vistas a amenizar a poluição ambiental. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Educação atue na criação de projetos escolares, como oficinas e palestras, com o objetivo de instruir os alunos sobre os perigos do consumismo para o desenvolvimento social. Assim sendo, amenizará, no Brasil, os resquícios irracionais, propostos por Bauman, que são deixados pela obsolescência programada.