Perigos da obsolescência programada

Enviada em 22/10/2019

Durante a Terceira Revolução Industrial foi aplicada pela primeira vez o conceito de ‘‘obsolescência programada’’ - a qual tinha como propósito reduzir a vida útil dos produtos a fim de aumentar frequência de compra do consumidor. Esse mecanismo obteve êxito e perpetua até o XXI. Entretanto, essa prática acarreta perigos a sociedade, tendo em vista a consequente maior produção de lixo e mazelas sociais que ela semeia.

A priori, esse mecanismo de menor vida útil dos produtos se tornou causa  expoente para acúmulo excessivo de resíduos. A esse respeito, o sociólogo Zygmund Bauman já previa em ‘‘Modernidade Líquida’’, que os produtos - assim como as relações - seriam menos duráveis e o meio ambiente seria impactado negativamente por isso. Essa afirmação certeira de Bauman revela o panorama atual do Brasil, que ocupa a 4ª posição no ranking de países que produzem mais lixo no mundo - conforme a ONG WWF. Assim, a obsolescência programada é um perigo para a proteção ambiental e, também, contraditória quando aplicada num contexto em que a sustentabilidade é incentivada mundialmente.

Outrossim, a aquisição de bens tomou, há décadas, caráter de determinação social e esse viés é aproveitado pelas indústrias para tornar os produtos mais rapidamente obsoletos. Sobre essa perspectiva, urge o episódio da jaqueta de couro da série cômica ‘‘Todo mundo odeia o Chris’’. Nesse enredo, o personagem principal, Chris, encontra na obtenção de uma jaqueta de couro uma oportunidade para ascender socialmente e se encaixar em novos grupos de convívio. Para isso, o garoto trabalha muito, e quando finalmente consegue comprar a roupa de couro a moda passa e da lugar a moda de um tênis. Apesar de ser uma ficção, esse episódio retrata uma conflituosa realidade atual, em que a obsolescência programada permite conduzir a divisão de classes.

Urge, portanto, que medidas sejam adotadas para combater os perigos da obsolescência programada. Em primeiro lugar, é imperiosa uma ação do Ministério do Meio Ambiente em parceria com a mídia, que deve, por meio de campanhas nacionais, esclarecer as pessoas os riscos ambientais do consumo exagerado e inconsciente causado pela obsolescência programada, com o fito de conscientizar a população sobre a produção de lixo exacerbada e reduzir os números desastrosos de sua produção no país. Ademais, nas escolas, durante as aulas de Sociologia, deve ser trabalhado a temática de como os produtos podem definir socialmente as pessoas, a fim de promover o desenvolvimento do senso crítico nos jovens sobre o tema e construir uma sociedade mais consciente e menos segregada. Com essas ações será possível viver as Revoluções Industriais de maneira positiva, excluindo os perigos que às cercam.