Perigos da obsolescência programada

Enviada em 25/10/2019

No filme “Wall-e”, o mundo encontra-se devastado pela nova forma de viver das pessoas, na qual a enorme dependência da tecnologia faz com que o acúmulo de lixo seja visto pelas ruas de todo o planeta. De maneira análoga, fora de ficção, vê-se que a curta durabilidade dos eletrônicos impacta na compra excessiva de outras mercadorias e, assim, os equipamentos antigos transformam-se em resíduos. Isso decorre do alto consumismo entre os indivíduos e acarreta em problemas ao meio ambiente.

Nesse sentido, é válido destacar que a influência da necessidade de alto consumo proporcionou o surgimento da obsolescência programada. A esse respeito, segundo Theodor Adorno, filósofo da escola de Frankfurt, as empresas mercantilizam a cultura de um povo para engajar a venda de produtos. A partir desse fato, observa-se que a manipulação das grandes corporações motiva a compra de tecnologias da contemporaneidade, somente para elevar a aprovação social dos cidadãos. Desse modo, a sociedade fica a mercê do consumismo.

Em consequência disso, essas práticas enfraquecem a sustentabilidade do meio ambiente, pois o lixo prejudica bastante a manutenção do ciclo ecológico. Acerca dessa premissa, dados do portal de notícias Agência Brasil apontam que o número de resíduos cresceu 29% em 11 anos no país. Nesse cenário, esse índice propicia o aumento da contaminação de florestas, já que o lixo libera um líquido escuro que é capaz de impedir a proliferação de espécies, as quais entrem em contato com ele. Dessa maneira, o pensamento atual dos cidadãos ameaça a destruição da natureza.

Portanto, é evidente que medidas são necessárias para contornar os impactos da obsolescência programada na atualidade. O Ministério da Educação, órgão responsável pela garantia de conhecimento para população, deve modificar a visão consumista da nova geração, por meio da criação de aulas interativas, em que a discussão sobre a importância da preservação ambiental seja pautada constantemente, com a presença de biólogos que trabalhem em reservas florestais e mostrem a funcionalidade de cada integrante de um ecossistema, a fim de reduzir o acúmulo de lixo no país. Com isso, o Brasil ficará mais distante da realidade vivenciada no filme “Wall-e”.