Perigos da obsolescência programada
Enviada em 04/03/2020
A obsolescência programada é uma filosofia de produção industrial e comercial que visa a curta durabilidade de produtos variados. Hodiernamente, esse fenômeno toma contornos específicos em países capitalistas, como o Brasil, sendo ele bastante maléfico para a sociedade e para o meio ambiente. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador, fomentando o consumismo, e promovendo consequências alinhadas à intensificação de problemas ambientais.
Mormente, é válido citar o conceito de “alienação”, elaborado pelo sociólogo alemão Karl Marx, no qual o indivíduo está preso em um ciclo de consumo, criando um padrão de vida monótono e previsível. Dessa forma, pode-se afirmar que a questão da obsolescência programada está atrelada a essa concepção, haja vista que, atualmente, a curta vida útil de grande parte dos produtos consumidos pelas pessoas impulsiona um ciclo de trabalho e consumo para sustentar o capitalismo, e que é fomentado, ainda, pelos veículos midiáticos, os quais expõem mercadorias como se fossem entidades autônomas e abstratas, seduzindo os indivíduos à compra. Tristemente, isso apenas fomenta uma das práticas mais onerosas da pós-modernidade: o consumismo, o que contribui para a alienação descrita por Marx.
Consequentemente, para alimentar um mercado consumidor cada vez mais ávido, é necessário a exploração agressiva do meio ambiente pela procura de matéria prima, além dos produtos obsoletos que, eventualmente, tornar-se-ão lixo. A esse respeito, o filósofo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Vida para consumo”, que a sociedade vive a favor de um consumismo cada vez mais exacerbado, mas ela mesma não está pronta pelos impactos de tais ações. Destarte, enquanto isso acontecer, a humanidade terá um planeta cada vez mais degradado e poluído.
Urge, portanto, uma solução definitiva para essa problemática. Para isso, cabe as empresas privadas, vinculadas às ONGs ativistas pelo meio ambiente, mediante a criação de um sistema de sustentável de trocas e reparos, fazerem produtos que, ao invés de estragarem em pouco tempo, possam ser reparados ou atualizados para uma versão melhor, a exemplo da troca de componentes danificados. Assim, poder-se-á atenuar o problema da obsolescência programada e, por conseguinte, os impactos ambientais negativos que esse fenômeno causa, indo a favor de uma sociedade mais sustentável e menos consumista.