Perigos da obsolescência programada
Enviada em 08/05/2020
No livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, retrata-se a revolta que os animais promoveram visando a retirar Sr. Jones do poder, o qual os explorava. Entretanto, no decorrer da narrativa, os verdadeiros princípios da revolução foram esquecidos, ao prevalecer a busca pelo poder e pela vantagem. Fora da ficção, observa-se um cenário análogo, uma vez que em razão de interesses econômicos, cria-se produtos com obsolescência programada, a qual denota perigos, na medida em que não só banaliza-se a arte, transformando-a em mercadoria, mas também contribui para a degradação do meio ambiente. Convém, portanto, analisar de forma crítica essa problemática.
Em primeiro âmbito, Theodor Adorno, integrante da Escola de Frankfurt, afirma que a chamada “Indústria Cultural” fez com que a arte perdesse sua função original, isto é, o fazer artístico não mais provoca reflexões, sendo incorporado à logica do consumo. Nesse contexto, as empresas, ao estabeleceram datas limites para a duração dos produtos, visam a obter lucros acentuados, ocasionando assim, uma banalização da arte, já que essa torna-se padronizada. Visto isso, de acordo com o site “Exame”, o brasileiro troca de celular, em média, a cada um ano, o que reforça o fato da baixa durabilidade desses e da compra alienada com maior rentabilidade para os produtores.
Paralelo a isso, a conhecida “Crise de 29” foi desencadeada em virtude do desequilíbrio da Lei da Oferta e da Procura, em que havia uma superprodução, porém uma ausência de consumidores, emergindo então, a ideia de regular a duração dos produtos. Sob essa ótica, é perceptível que devido à redução da vida útil das mercadorias, aumenta-se, por conseguinte, a quantidade de lixo no planeta, o qual contém metais pesados que contaminam o solo, além de liberar radiações. Nesse viés, convém ressaltar a exacerbada energia e intensos recursos naturais que são usados na confecção desses produtos, em que se polui o meio ambiente, como também contradiz a perspectiva de Kant, de que o ser humano deve agir de tal modo que essa ação sirva de Lei Universal.
Enfim, com o intuito de que o livro “A Revolução dos Bichos” deixe de representar a realidade, medidas são necessárias. A priori, urge que o Governo, em sincronia com a mídia - a qual é o principal veículo formador de opinião - crie uma lei penal para as empresas que praticam a obsolescência programada. A posteriori, isso só será possível por meio da criação de uma petição baseada em denúncias de vítimas que serão recolhidas, especialmente em um canal telefônico, a fim de que haja a extinção dessa problemática, além de a concretização de ações que condizem com a máxima de Kant.