Perigos da obsolescência programada

Enviada em 09/05/2020

De acordo com o filósofo grego Platão, em sua obra ‘‘A República’’, os indivíduos deveriam viver com sabedoria e com justiça, o que favoreceria a contemplação da necessidade de todos e destituiria os problemas sociais.Contudo, na contemporaneidade, a dificuldade em lidar com as consequências da obsolescência programada tem contrariado o raciocínio do antigo pensador, já que a integridade de muitas pessoas tem sido violada por atos deliberados e imorais.Dito isso, os impactos socioambientais e o consumismo são pontos que valem ser destacados no Brasil.

Diante desse cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a obsolescência programada reflete os costumes estabelecidos pela população em um certo período histórico.Sobre isso, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil’’, relatou que os indivíduos vivem de acordo com uma cultura local.Nesse sentido, o descarte irregular de equipamentos tecnológicos, sendo intensificada com a Revolução Informacional do século passado, evidencia uma postura que afronta o equilíbrio entre a sociedade e o meio ambiente, já que a contaminação de solos e de rios pela decomposição dos materiais tem acometido a saúde humana e os princípios sustentáveis.Tal contexto denota, por conseguinte, um quadro de caos que precisa ser combatido, posto que, segundo o jornal “Folha de São Paulo’’, a poluição dos lençóis freáticos das grandes cidades, derivada do lixo urbano e industrial, aumentou em mais de 10% na última década no país.

Além disso, o consumo irracional mostra-se como desdobramento da obsolescência programada.Isso ocorre porque, conforme o sociólogo alemão Adorno, a Indústria Cultural, materializada pelas empresas, visa alienar a população a consumir os seus produtos.Nesse viés, a massificação da sociedade, a qual reflete as diretrizes do capitalismo, torna a compulsão pela compra de aparelhos tecnológicos, como computadores e celulares, um fato inevitável, o que tem inviabilizado o desenvolvimento do raciocínio crítico dos cidadãos.Não é de se estranhar, portanto, que os outdoors,  com suas características apelativas, sejam de grande valia para as vendas empresariais.

Desse modo, os perigos gerados pela obsolescência programada são um empecilho que precisa ser minimizado.Assim, o Estado, para harmonizar a relação entre a sociedade e o meio ambiente, deve investir nos setores sociais e sanitários, por meio de multas mais severas aos indivíduos que descartarem irregularmente os materiais consumidos e de inspeções, feitas por fiscais públicos, nos aterros controlados do país.Ademais, as Escolas, com seu caráter pedagógico, deve conscientizar os cidadãos- mirins sobre os malefícios do consumo irracional, por intermédio de mostras científicas e de palestras, com o fito de desenvolver a criticidade infantil.Dessa forma, a justiça de Platão se efetivará.