Perigos da obsolescência programada

Enviada em 23/08/2020

O documentário A História das Coisas promove importantes reflexões acerca dos estágios da economia: a produção, distribuição, consumo e descarte das mercadorias. Assim, é realizada análises dos impactos que tais fases podem causar no seres humanos, natureza e sociedade. Nesse contexto, é inegável a relação entre a acerbada compra de produtos que permeia o Brasil - gerada, principalmente, pela ampla obsolescência programada - com os impactos ambientais. Dessa forma, vale analisar o incentivo à sociedade de consumo, bem como a exacerbada produção de lixo como fatores frutos dos perigos que envolvem a redução programada da vida útil dos bens.

A priori, é inegável que as empresas fazem valer de inúmeras ferramentas para gerarem maiores vendas, tendo a obsolescência programada como uma delas. Nesse cenário, o filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom mostra as problemáticas que um constante incentivo desregrado ao consumo podem gerar. Destarte, a ficção vivenciada pro Becky se mostra convergente à realidade de inúmeros brasileiros, visto que a obra cinematográfica apresenta o constante papel da mídia em estimular a exacerbada compra de novos itens em detrimento ao concerto dos mesmos. Logo, a redução programada da vida útil dos produtos pelas empresas induz o consumismo e suas consequências à população brasileira.

Ademais, a tática econômica me vigor encontra-se pautada na máxima de que quanto mais durabilidade um produto possui, menos será possível obter lucro com ele. Dessa forma, a obsolescência programada tendo por objetivo o maior número de compras de determinados produtos faz com que haja amplo aumento do volume de lixo produzido pela sociedade brasileira. Nesse viés, o filme Wall-e mostra um mundo futurista que lida com as consequências do descaso com o meio ambiente. Assim, a animação alerta, principalmente, quanto a quantidade de lixo depositada no planeta inviabilizando a vida na Terra. Sendo assim, os perigos da obsolescência programada deixam a sociedade brasileira cada vez mais próxima ao cenário cinematográfico de Wall-e.

Infere-se, portanto, que a conjuntura é grave e carece de medidas que freiem os seus impactos. Logo, é necessário que sejam minimizados os efeitos da redução programada da vida útil dos bens que gera uma acerbada sociedade de consumo contribuindo para o acentuado volume de lixo no país. Por certo, urge ao Ministério do Meio Ambiente realizar um projeto que vise a caracterização da obsolescência programada como crime contra a natureza. Finalmente, por meio da Lei entregue à Câmara, que revela a prática nociva ao meio ambiente, bem como às relações sociais, espera-se que as realidades fictícias apresentadas deixem de representar uma futura perspectiva brasileira.