Perigos da obsolescência programada
Enviada em 15/06/2020
A ascensão capitalista, no século XVIII, alterou a relação entre a produção e o consumo, tendo feito surgir, em meio à lógica da busca pelo acúmulo de capitais, práticas que visam aumentar o lucro dos produtores. Nesse ínterim, destaca-se a obsolescência programada, ou seja, o lançamento proposital de mercadorias rapidamente descartáveis, de modo que se estimule o consumidor a comprar novamente. Em decorrência disso, são desencadeados efeitos negativos ao meio ambiente e à estabilidade financeira dos consumidores, o que revela a necessidade de combate a essa tendência do mercado.
Inicialmente, é importante apontar que esse fenômeno reflete diretamente sobre o equilíbrio ambiental, em consequência da forte tendência, sobretudo entre os eletrônicos, de redução proposital da utilidade dos produtos, que são fabricados de forma a quebrarem facilmente ou se tornarem atrasados tecnologicamente em relação aos demais lançamentos. Como resultado disso, tem-se um acúmulo crescente de lixo eletrônico, gerado nas regiões altamente desenvolvidas e direcionado aos países periféricos, conhecidos como “lixões do mundo”. Exemplo disso é que, segundo o jornal The Guardian, 215 mil toneladas desses aparelhos, provenientes dos Estados Unidos e da Europa, são despejados no país africano de Gana. Dessa forma, é favorecida a contaminação do solo, da água e do ar, graças aos metais pesados e substâncias tóxicas liberadas pelos materiais.
Ademais, a curta validade dos produtos impacta significativamente na economia e na situação financeira dos compradores, impelidos a se adequar constantemente às inovações do mercado. Nesse viés, segundo Benito Muros, presidente da Fundação para Inovação Sustentável sem Obsolescência, estima-se um prejuízo de 50 mil euros ao longo da vida de um trabalhador de classe média, o que pode desencadear endividamentos a longo prazo. Isso posto, infere-se que, embora a prática corresponda à garantia de uma margem de lucro aos comerciantes, a obsolescência planejada é um motivo de preocupação à estabilidade financeira dos consumidores, já os que induz a compras dispensáveis.
Portanto, é premente o combate dessa tendência mercadológica. Assim, é dever do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as Secretarias Municipais, promover a coleta e a reciclagem dos resíduos, por meio da criação de centros de reciclagem nas cidades, de modo que seja amenizado o impacto ambiental causado pela elevada geração de lixo. Ademais, o Ministério da Educação deve alertar a população acerca de seus direitos previstos pelo Código de Defesa do Consumidor, mediante a divulgação de vídeos esclarecedores nos meios midiáticos, a fim de garantir o amparo jurídico dos consumidores prejudicados pela prática abusiva da Obsolescência Programada. Dessarte, poder-se-á amenizar os efeitos negativos dessa prática capitalista.