Perigos da obsolescência programada

Enviada em 05/06/2020

Durante a Grande Depressão, de 1929, economistas observaram que produtos duráveis desfavoreciam a economia, pois reduziam o consumo. Então, a partir disso, começou a ser aplicada a obsolescência programada: quando um produto lançado no mercado torna-se inutilizável em um curto período de tempo de forma proposital. No entanto, essa ação que tem como causa o interesse de lucro se torna prejudicial ao meio ambiente, pelo acúmulo de lixo.

Em primeira análise, é preciso atentar para a priorização do lucro presente na produção de mercadorias que se tornarão obsoletas. A partir do meado do século XX, tornou-se popular entre os economistas norte-americanos o jargão “um produto que não se desgasta é uma tragédia para os negócios”. Nesse sentido, os empresários visavam fabricar mercadorias com curto prazo de validade, na intenção de que o consumidor necessitasse comprar outro logo após, favorecendo as vendas. O exemplo mais citado pode ser visto no filme “A Conspiração da Lâmpada”, que mostra a diminuição proposital do tempo de vida útil das lâmpadas de 2500 horas para 1000 horas, após a Grande Depressão. Dessa forma, fica evidente a ideia capitalista, em que o objetivo é apenas lucrar, sem se preocupar com as consequências.

Ademais, o acúmulo de lixo não reciclável é uma consequência direta da obsolescência programada. O filme “Wall-e”, lançado pela Disney em 2008, mostra que após a Terra ser entulhada com lixo, a humanidade precisa deixá-la. Fora da ficção, percebe-se que a falta de preocupação com o descarte de produtos inutilizados é uma problemática que pode ocasionar um desastre ambiental. No Brasil, não há uma estrutura de descarte de lixo adequada para a quantidade de mercadorias que são jogadas fora diariamente, logo, muitos desses produtos são jogados na natureza. Assim, percebe-se que a obsolescência planejada é extremamente perigosa para o meio ambiente.

Torna-se notório, portanto, que são necessárias estratégias para solucionar os perigos gerados pela obsolescência programada. É fundamental, então, a criação de projetos de lei que contemplem essa questão, pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com consultas públicas. Tais consultas devem ser amplamente divulgadas em redes sociais, para o público em geral ter acesso e se posicionar. Além disso, em tais consultas, seria viável disponibilizar para download uma carilha em PDF que contemplem os detalhes da lei proposta, para que a questão do lixo gerado pela obsolescência planejada não só ganhe respaldo legal, como também o faça de maneira consciente por parte da população. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhoria no que tange à questão do acúmulo de lixo ocasionado pelo constante descarte de mercadorias obsoletas.