Perigos da obsolescência programada

Enviada em 11/06/2020

‘’ No meio do caminho tinha uma pedra’’. Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro, descreve em seus versos as dificuldades enfrentadas pelo eu lírico ao se defrontar com um entrave. Em analogia, observa-se no contexto hodierno o ciclo de obsolência programada enquanto um problema latente que impede o desenvolvimento nacional. Nesse contexto, percebe-se a configuração de uma grave situação de contornos específicos, em virtude da insuficiência legislativa, bem como da influência midiática.

Em primeiro lugar, é necessário destacar a insuficiência legislativa, que se destaca por consolidar um grave empecilho para a superação da problemática. Sob esse viés, John Locke defende que, ‘’ As leis fizeram-se para os homens e não para as leis’’. Desse modo, é evidenciado que a aplicação das diretrizes legislativas são primordiais para a garantia dos direitos assegurados pela mesma. Entretanto, é perceptível que tal fator não é uma realidade na atual conjuntura brasileira, visto que, ampla parcela da população não tem conhecimento acerca dos seus direitos enquanto consumidores. Como consequência, tem-se a desinformação social, inviabilizando as possibilidades de enfrentamento sobre a questão.

Igualmente, vale ressaltar a influência midiática. Nesse sentido, Pierre Bourdieu afirma que, ‘’ o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão’’. Todavia, observa-se um antagonismo em relação ao exposto, no que tange à atuação midiática, que ao divulgar amplas campanhas publicitárias, baseadas em estratégias de marketing, difundem ideais consumistas. Esse fator desencadeia a alienação social, o que corrompe a liberdade dos telespectadores, mas também, incita o código de ética vinculado às plataformas.

Conclui-se, portanto, que medidas devem ser aderidas para a resolução da impasse. Para isso, é necessário que o CONAR (o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) , fiscalize com maior vigor as propagandas divulgadas nas esferas comunicativas, objetivando o controle de disseminação de perspectivas errôneas. Paralelamente, o MEC, deve ampliar a difusão de informações. Isso deve ser concretizado por meio de alterações na BNCC, (Base Nacional Comum Curricular), incluindo debates sobre a relação entre consumo, sociedade e obsolência de produtos. As mencionadas discussões devem realizadas por sociólogos, além de serem abertas ao público geral. A implementação dessa medida objetivará o despertar da conscientização crítica e social.