Perigos da obsolescência programada
Enviada em 12/06/2020
“Vivemos em tempos líquidos, nada é para durar”. Tal frase, pronunciada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, revela a efemeridade causada pelo individualismo contemporâneo. Semelhantemente, esse pensamento se aplica às práticas de vendas atuais, nas quais as empresas, movidas por anseios particulares, programam suas mercadorias de maneira a diminuírem a sua durabilidade. Essa atividade denomina-se obsolescência programada e tem sido prejudicial. Sendo assim, o consumo exagerado e os danos ambientais estão dentre os principais problemas relacionados ao tema. Desse modo, são necessárias medidas que minimizem os efeitos negativos dessa prática. Inicialmente, destaca-se o consumismo. Nesse caso, ao tornarem um produto obsoleto, torna-se essencial o incentivo ao consumo de novas mercadorias, sobretudo, por meio de propagandas televisivas que visam persuadir o telespectador. Consoante o geógrafo britânico David Harvey, a obsolescência programada é uma das formas que o sistema capitalista encontra para superar e acelerar o crescimento ilimitado. E isso se comprova, pois os empresários não levam em consideração a necessidade do consumidor, mas somente o lucro que pode ser alcançado pelo aumento das vendas. Dessa forma, o consumismo se constitui como um perigo à sociedade vítima de tal situação.
Ademais, convém lembrar acerca dos impactos ao planeta. Nesse sentido, a obsolescência programada promove o aumento da demanda de matérias-primas, haja vista que o estímulo ao consumo, o crescimento das vendas e, consequentemente, da produção exigirá bens da natureza para a fabricação de novos produtos. De acordo com a organização internacional Global Footprint Network, no ano de 2019, a humanidade superou o limite do uso de recursos naturais do planeta e, desde então, o que for usado será mais do que a Terra consegue repor. Dessa maneira, a obsolescência contribui para a degradação ambiental, principalmente, pelo perigo da insustentabilidade.
Logo, alternativas devem ser apresentadas para a resolução da problemática que envolve a obsolescência programada. Para tanto, é necessário que os Estados - responsáveis pelo bem-estar da população - incentivem as grandes empresas, por meio de incentivos fiscais, a adotarem políticas mais éticas em relação ao consumidor, tais como: não utilizar dessa prática constantemente e evitar o excesso de publicidade voltada ao consumismo - a fim de garantirem aos consumidores seguridade ao usar seus produtos, evitando o consumo exacerbado. Além disso, é preciso que os Governos adotem medidas ambientais que punam empresários que agem irresponsavelmente - com o intuito de evitar ações insustentáveis.