Perigos da obsolescência programada

Enviada em 14/06/2020

A partir das Revoluções Industriais e da consolidação dos modelos de produção capitalista - “fordismo” e “toyotismo”, por exemplo – as sociedades mundiais caracterizaram-se por “desenfreados” consumos mercantis. Com isso, as “indústrias de massa” passaram a disseminar seus produtos, entre os quais se destacam os bens duráveis – eletrodomésticos, smartphones, notebooks, etc. Contudo, tais objetos são, perceptivelmente, desenvolvidos para “falharem” com a progressão do uso, o que define a obsolescência programada. Assim, tais práticas precisam ser combatidas, pois influenciam as lamentáveis compras compulsivas e geram perigosos impactos ambientais com o lixo eletrônico.

Nesse viés, é importante destacar a formação da sociedade consumista – afirmada com o evento histórico citado. Segundo Walter Benjamin, sociólogo da Escola de Frankfurt, o mundo “pós-moderno” é marcado pela padronização dos gostos e dos comportamentos, fator que é, veementemente, aproveitado pelas grandes empresas para a massificação dos seus produtos. Dessa forma, é notável que o consumismo exagerado das comunidades hodiernas advém desse contexto, aspecto que corrobora a compulsividade das compras e “aliena” a população quanto a vida útil dos seus objetos – pré-desenvolvidos para a perda de funcionalidade.

Por conseguinte, o descarte exacerbado das mercadorias eletrônicas deve ser salientado como precursor de problemas ambientais diversos. Nessa percepção, há que se ressaltar a dantesca ignorância populacional no que tange à destinação desses gêneros. “Movidos” por baterias de lítio e formados por diversos metais – ferro, cobre, alumínio, etc. – tais maquinofaturas, ao serem “despejadas” erroneamente, impactam o equilíbrio ecológico do planeta, pois seus componentes alteram o pH do solo – tornando-o ácido e improdutivo – e contaminam os ecossistemas aquáticos, pelo acúmulo de elementos “pesados” nos organismos (Bioacumulação). Desse modo, tornam-se evidentes os danosos problemas sociais e ambientais da obsolescência programada.

Portanto, a sociedade moderna encontra-se alienada pelas “indústrias de massa”, as quais fabricam seus produtos “voltados” para posteriores falhas, o que precisa ser combatido. Por isso, faz-se imprescindível a atuação do PROCON (Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor), junto aos órgãos de defesa ambiental – como o IBAMA – por meio da criação de programas de fiscalização da produção. Isso acontecerá nas linhas de fabricação, com relatórios e contratos jurídicos que restrinjam a programação da falha dos objetos pelas grandes empresas. Além disso, tais organizações devem instalar, em todo o território nacional, locais propícios ao descarte seguro dos produtos. Dessa maneira, a disfunção pré-estabelecida desses bens será reduzida e os impactos na biosfera serão amenizados.