Perigos da obsolescência programada
Enviada em 06/07/2020
Durante a terceira Revolução Industrial, decorrida na Inglaterra no século XIX, houve um aumento na produção de eletrônicos e de mecanismos para vendê-los. De forma análoga, no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, uma dessas estratégias, a obsolescência programada, apresenta perigos para sociedade. Isso ocorre ora devido à intensificação do acúmulo de lixo, ora devido ao desrespeito a princípios como a liberdade de escolha. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.
A priori, é imperioso destacar que o panorama supracitado implica no crescimento do acúmulo de lixo. Isso porque, a curta vida útil dos eletroeletrônicos causada pela obsolescência programada faz com que os consumidores troquem de aparelhos com maior frequência, causando uma sobrecarga nos setores de descarte desses produtos que acabam não cumprindo seu papel e deixando esse lixo tóxico exposto no meio ambiente. Dessa maneira, essas ideias contradizem a Política Nacional de resíduos Sólidos, a qual prevê o descarte adequado do lixo como um direito da população. Destarte, torna-se evidente a discussão sobre esse tema com o intuito de resolver essa problemática.
Outrossim, é imperativo pontuar que conforme Immanuel Kant, o princípio da ética é agir de forma que determinada ação possa ser uma prática universal. De maneira semelhante, o ato de vender produtos com obsolescência programada sem que o consumidor tenha acesso a essa informação vai de encontro à ética kantiana, dado que se todos os cidadãos desrespeitassem o direito de escolha alheia, a sociedade entraria em profundo desequilíbrio. Portanto, precisa-se de uma intervenção para que essa questão seja modificada com o fito de alcançar a isonomia esperada pelo corpo social.
Em suma, são necessárias medidas que atenuem os perigos da obsolescência programada. Para tanto, urge que o Executivo, por meio de investimentos no Ministério do Meio Ambiente, aprimore leis que regulem o descarte adequado de rejeitos por parte das empresas e dos cidadãos, com o objetivo promover, de maneira eficiente, o destino correto para o lixo eletrônico. Soma- se a isso o papel das escolas, em parceria com as famílias, de inserir discussões sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestras com a participação de especialistas, a fim de promover, desde a infância, o conhecimento dos direitos de deveres dos consumidores e exercer essa atribuição de forma consciente. Somente assim, tal hiato reverter-se-á, sobretudo na perspectiva tupiniquim, fazendo “jus”, deveras, à ética kantiana.