Perigos da obsolescência programada

Enviada em 07/07/2020

Durante meados do século XIX, houve a segunda revolução industrial, na qual alterou o processo de produção fabril e o modo de vida populacional, fomentando a prática do consumismo mundial e difundindo o sistema capitalista em âmbito global. Voltando-se à contemporaneidade, é cognoscível que essas revoluções foram cruciais para a formação da sociedade moderna, entretanto, é perceptível que esses novos sistemas de produções implantados trouxeram graves problemas para a comunidade, como a produção de lixo eletrônico em demasia e a formação de um sistema totalitário tecnológico.

Vale ressaltar, de início, que, no Brasil, a obsolescência programada é o principal responsável pelo crescimento exponencial do " e- lixo" em todo território nacional. De acordo com um levantamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU), publicada em 2018, cerca de 1,5 mil toneladas de lixo eletrônico é produzido anualmente no Estado brasileiro e, aproximadamente, 6% dos produtos tecnológicos descartados ainda poderiam ser reutilizados. À vista disso, é notório que à sociedade brasileira contemporânea está vinculada em um sistema fortemente capitalista e consumista que, em compêndio, é o principal ocasionador dos altos índices de lixo eletrônico no país e desencadeador da desregulação dos níveis tróficos do ecossistema nacional. Logo, faz-se necessário a discussão profícua para mitigar tais imbróglios, pois, conforme Karl Marx, filósofo e político alemão, “a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas.”

Em segundo plano, nota-se que a obsolescência programada é um mecanismo empresarial de controlar as relações de consumo da comunidade. Nesse viés, o livro “Admirável mundo novo”, escrito por Aldous Huxley, narra uma sociedade dos desejos, na qual o consumismo e o direcionamento das castas são os responsáveis prelo “controle das massas”. Nesse espectro, é compreensível que esse “tempo de vida” programado é um método empresarial de controlar a vida populacional, passando uma idealização de “ter para ser”, o que resulta no surgimento do consumo desenfreado e no aparecimento de doenças psicossomáticas na sociedade.

Em suma, medidas são essenciais para mitigar as problemáticas ocasionadas pela obsolescência programada no Brasil. Primordialmente, o Ministério da Educação (MEC) deve criar um projeto nacional escolar que vise a abranger todas escolas brasileiras, na qual a finalidade é realizar palestras e minicursos com ambientalistas e psicopedagogos, cujo objetivo é informar sobre a utilização consciente das tecnologias e demonstrar os efeitos negativos ocasionados pelo o mal uso dessas tecnologias. Ademais, ONGs, engajadas em questões sociais, devem promover lives com sociólogos, com o desígnio de articular a reflexão e a conscientização sobre a temática pela população brasileira.