Perigos da obsolescência programada

Enviada em 06/07/2020

Durante a Grande Depressão, em 1929, os produtos industrializados passaram a se acumular em estoques diante de um mercado consumidor impotente. Nesse contexto, surgiu o famoso jargão: “Um produto que não se desgasta é uma tragédia para os negócios”. Assim, quase um século depois, ainda é possível observar a redução da vida útil dos eletrodomésticos como estratégia para estimular o consumo. Dessa forma, é fundamental discutir os perigosos da absolescência programada relacionados ao consumismo desenfreado, bem como à produção e ao descarte impróprio do lixo produzido que afeta diretamente o meio ambiente.

A priori, convém destacar que o principal objetivo dos fabricantes é aumentar seus lucros. Logo, os produtos são, propositalmente, criados para se tornar inutilizáveis em pouco tempo, o que garante novas compras. Além disso, existe uma forte propaganda voltada ao consumo das versões mais atualizadas que transforma um aparelho em perfeito estado em algo absoleto. Nesse sentido, essas estratégias estimulam o consumismo desenfreado e, muitas vezes, desnecessário. Fato que reflete o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman: “O problema não é consumir, é o desejo insaciável de continuar consumindo”.

Ademais, é preciso compreender que, ao jogar um eletroeletrônico fora, ele não desaparece simplesmente da natureza. Por esse motivo, a partir dos anos 80, algumas medidas têm sido tomadas para minimizar os danos ambientais, como a reciclagem que garante o descarte e destino apropriados do lixo produzido. Todavia, segundo o IBGE, 64% dos munícipios brasileiros não contam com coleta seletiva. Os resíduos são, portanto, acumulados em aterros sanitários e seus componentes tóxicos contaminam o solo e água.

Sendo assim, tendo em vista os impactos ao meio ambiente, é impreterível que o lixo tenha um destino correto. Para tanto, o Governo Federal deve, por meio um fundo financeiro, investir e cobrar também dos munícipios, de baixo e médio porte, a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Tal ação tem como objetivo consolidar programas eficientes de reciclagem, como a coleta seletiva que já ocorre nos grandes centros urbanos. Outrossim, é necessário estabelecer a regulamentação legal de multas administrativas às empresas que praticam a obsolescência programada em suas diversas formas, bem como estimular o consumo consciente pela sociedade.