Perigos da obsolescência programada
Enviada em 01/08/2020
O consumismo, presente na sociedade contemporânea, remonta ao século XX - época de grande ascensão do comércio no mundo. Esse conceito foi apresentado como “consumo conspícuo” pelo economista Veblen em 1899 e é usado para denominar o consumo supérfluo - justificado pelo status que carrega. Nesse contexto, a necessidade crescente da obtenção de produtos novos torna-se um problema. Isso porque esses produtos estão sempre sendo produzidos de modo que, ao longo de um período (mais curto do que o esperado), tornem-se ou aparentem estar obsoletos. Diante disso, algumas consequências negativas no cenário brasileiro são notadas, como problemas financeiros e ambientais.
É cabível destacar, a priori, que esse consumismo é decorrente, mormente, da influência exercida pelas mídias. Isso se dá pelo fácil acesso a elas e à internet, que - ao manterem as pessoas em constante contato com novas propagandas e anúncios - induzem-as à obsolescência perceptiva. Assim, os aparelhos que já possuem parecem mais desatualizados do que os que acabaram de ser lançados. Porém e infelizmente, boa parte desses produtos realmente se mostram obsoletos, perdem suas funcionalidades ou estragam com muita facilidade, diferentemente do que era observado no século XX. Dessa forma, ao trocar os objetos e, principalmente, os eletrônicos antigos pelos mais recentes e mais caros cria-se um gasto financeiro desnecessário e que pode pesar no bolso dos consumidores.
Atrelado a esse contexto, pode-se ressaltar que, como há uma constante renovação das mercadorias, há, também, um constante descarte daquelas que estão inutilizadas, gerando grandes problemas ambientais. De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas, aproximadamente 1,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico descartado no ano de 2017 foi proveniente do Brasil e apenas 2% desse foi reciclado. O resto do lixo que não foi tratado possui destinações distintas - pode ser, por exemplo, lixões à céu aberto, que são impróprios para esses tipos de materiais. Isso porque muitos resíduos presentes nesses materiais (como chumbo, bromo e níquel) podem atingir o solo e as águas, afetando a saúde de plantas, animais e do próprio ser humano.
Portanto, medidas devem ser tomadas para que o entrave citado seja coibido. Para tanto, cabe aos indivíduos procurar se informar sobre os produtos que estão adquirindo. A ideia é que, por meio de pesquisas na internet ou questionamentos na própria loja, o consumidor saiba se a merca é realmente necessária, se a mercadoria possui uma duração que o agrade e se há alguma preocupação por parte da empresa em relação ao impacto na natureza. Cabe, também, às empresas cumprir com o que o Código de Defesa do Consumido prevê ao divulgar as informações essenciais sobre seus produtos para quem está realizando a compra. Dessa forma, notar-se-á uma melhora gradativa no cenário apresentado.