Perigos da obsolescência programada

Enviada em 30/07/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com os riscos da obsolescência programada torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pelo descarte inadequado de eletrônicos, seja pelo estímulo ao consumismo, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e precisa de uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar,  é preciso atentar que uma das causas que corrobora para persistência do problema está ligado, sobretudo, a falta de conscientização da população ao realizar o descarte de lixo eletrônico, no qual uma pesquisa de 2017 da Organização das Nações Unidas (ONU) o Brasil é o sétimo maior produtor de lixo eletrônico no mundo e ao todo, o país gera 1,5 milhões de toneladas por ano. Dessa forma, segundo Gilberto Dimenstein, jornalista e criador do portal Catraca Livre, o grande mal do cidadão é a banalização do olhar, e não enxergar as mazelas sociais que afetam o país, como a má administração do abandono de resíduos. Nesse sentido, é inaceitável que essa situação se perpetue na sociedade contemporânea.

Somado a isso, é válido destacar que a necessidade de adquirir aparelhos eletrônicos novos e da moda em um curto período de tempo aumenta consideravelmente a cada ano. Nesse âmbito, de acordo com o diretor de produtos da Samsung, Roberto Soboll, o brasileiro troca de celular a cada um ano e meio. Tal fato ocorre devido a estratégias realizadas por empresas que fabricam esses eletrônicos, visando diminuir a durabilidade do produto e consequentemente fazendo o consumidor adquirir um novo, no qual as mercadorias oferecidas são colocadas à disposição dos consumidores já com prazo de vida útil determinado, tendo em vista sua constante recompra devido a falhas na sua utilização após o prazo de garantia. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Depreende-se, portanto, que são necessárias medidas capazes de mitigar o problema. Para tanto, é imperiosa uma ação do Governo, que deve por meio de projetos e campanhas, promover debates que abordem a importância de um adequado e eficiente descarte de eletrônicos e como este pode mudar a qualidade de vida do meio ambiente, a fim de proporcionar uma população mais consciente sobre medidas que podem mudar a situação do país. Somente assim, observar-se-á uma sociedade mais justa e igualitária no qual os problemas poderão ser mazelas passadas na história brasileira.