Perigos da obsolescência programada

Enviada em 31/07/2020

Durante uma grave crise do capitalismo financeiro que teve início no ano de 1929, período conhecido como a Grande Depressão, inúmeras indústrias passaram a reduzir a vida útil dos produtos como forma de lucratividade. Por analogia, ainda há o uso dessa estratégia, que ficou conhecida como obsolescência programada, apesar de ser benéfico para as empresas, tem causado grandes impactos para a sociedade, como a degradação do meio ambiente e o estímulo ao consumismo.

Em primeiro lugar, de acordo com uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil produz cerca de 1,5 mil tonelada de lixo eletrônico por ano, e apenas 3% desses resíduos são destinados de maneira correta. Assim, com o descarte indevido de aparelhos eletrônicos, há a contaminação de solos e lençóis freáticos, além de causar sérios problemas de saúde para os animais e os seres humanos, como doenças respiratórias, intoxicações graves e desenvolvimento de câncer, visto que são expostos a substâncias tóxicas, tais como o chumbo, mercúrio e níquel.

Ademais, segundo o filósofo polonês, Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea vive de maneira líquida, ou seja, as relações e as ideias são estabelecidas de maneira momentânea e inesperada. Da mesma maneira, é perceptível que o fato de haver a necessidade de adquirir um novo produto em pouco tempo de uso está sendo banalizado pelos indivíduos, devido ter a publicidade de que ao comprar um novo produto, o consumidor terá o de melhor qualidade. Assim, há uma alienação e a sociedade não possui o conhecimento de que tem os direitos negligenciados.

Logo, o Ministério do Meio Ambiente deve criar centros de coletas municipais, no qual a população poderá realizar o descarte de pilhas e aparelhos eletrônicos sem mais utilidade, com intuito de que seja realizada a reciclagem desses materiais e amenizados os impactos ambientais. Além disso, é preciso que as instituições de ensino promovam a abordagem de temas, como o consumismo exagerado, o comportamento da sociedade e sobre os direitos do consumidor - por meio de palestras interdisciplinares entre Geografia e Sociologia -, a fim de que haja a formação de cidadãos conscientes sobre a obsolescência programada.