Perigos da obsolescência programada

Enviada em 03/08/2020

Em 1928, a revista Printer’s Ink – voltada ao setor publicitário – publicou a frase “ Um artigo que não estraga é uma tragédia para os negócios”. Atualmente, as empresas controlam e diversificam a durabilidade de seus produtos, e muitas vezes, programam sua obsolência, visando a maior lucratividade, devido ao fato do consumidor ter de retornar a comprar tal produto caso esse se torne obsoleto. Procura-se estudar, então, os perigos dessa estratégia da obsolescência programada, tal como suas consequências para a população consumidora.

No período que ficou conhecido como A Grande Depressão, de 1929, grande partes dos empresários notaram que quanto mais seus produtos duravam, menos eles lucravam, desenvolvendo-se assim a obsolência programada. O documentário “The Light bulb Conspiracy” expõe reflexões sobre a antiga alta durabilidade das lâmpadas, e as consequências após terem sua longevidade reduzida, que resultou em um consumismo desordenado, fazendo a população destinar mais parte da sua verba à compra de lampadas. De acordo com o ideário Marxista, há uma exploração por parte das empresas ao levarem os consumidores a gastar mais dinheiro em produtos sobre a ótica de obsolescência programada, acarretando prejuízos financeiros, como dívidas ou o empobrecimento, sobretudo, a classe trabalhadora.

Além da estratégia da obsolescência planejada, os empresários contam com outro fator para aumentar suas vendas: o modismo. Segundo Karl Popper, o homem pode se deixar escravizar por doutrinas de suas próprias mazelas, tendências e modismo, tornando-se um prisioneiro do seu tempo. Esse controle de durabilidade de bens fornecidos para a população, somado a ideologia do modismo - ditando o que é moderno, e, portanto, melhor -  ajuda a reforçar os padrões e condições de consumo e desenvolvimento da população pobre, que por sua vez, não consegue acompanhar essas tendências e acaba optando por produtos inferiores e de qualidade reduzida. Com isso, a perpetuação da pobreza se torna inevitável, e muitas vezes, alarmada.

Em virtude dos fatos apresentados, é notório que a estratégia da obsolescência programada desencadeia problemas, principalmente, a população de baixa renda. Faz-se necessário a adoção de medidas plausíveis para diminuir a influência dessa estratégia mencionada sobre a qualidade dos produtos, como a fiscalização da produção dos mesmos, feita pelo ministério da Justiça, dentro das indústrias brasileiras, assim como o boicote ao uso de produtos de baixa durabilidade proposital, cabendo as pessoas o emprego deste movimento, visando assim melhor qualidade de vida e de consumo a toda a população brasileira.