Perigos da obsolescência programada

Enviada em 31/07/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista e acredita em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a obsolescência programada torna o país cada vez mais distante do imaginado pela personagem. Nesse âmbito, seja pela influência midiática, seja pela negligência de empresas privadas, o problema exige uma reflexão urgente.

É necessário destacar, a priori, que a idealização de Quaresma distancia-se ainda mais da realidade brasileira, visto que a atuação dos meios midiáticos contribui para a continuidade da problemática. Sob tal ótica, Joseph Goebbel, ao afirmar que algo só se torna verdadeiro ao ser veiculado constantemente, ratifica como a mídia e a publicidade, erroneamente, são utilizadas para estimular o consumismo. Nesse sentido, esse meio de divulgação funciona como mecanismo de coerção, sobretudo dos jovens, os quais são cativados a adquirir novos produtos, muitas vezes, devido às mínimas atualizações ou melhorias em relação aos objetos que já possuem. Assim, esses indivíduos perdem a autonomia do pensamento e baseiam-se em opiniões alheias.

Ademais, é imperativo pontuar que o novo modo de produção corrobora de forma intensiva esse entrave. Isso porque empresas reduzem a vida útil de mercadorias, principalmente tecnológicas, até se tornarem obsoletas, visando o lucro exacerbado. Nesse viés, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Émile Durkheim, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Logo, observa-se que um ambiente patológico rompe com o seu desenvolvimento, posto que um sistema em crise não favorece o progresso da nação.

Diante disso, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao MEC (Ministério da Educação) orientar os alunos sobre os perigos da obsolescência programada, por meio de palestras e debates nas escolas – que têm como função social formar alunos reflexivos e conhecedores dos seus direitos e deveres - a fim de aprimorar o aprendizado quanto ao assunto e, com isso, estimular o senso crítico dos estudantes. Dessa forma, notar-se-á uma melhora no cenário nacional e maior aproximação do ideário de Policarpo Quaresma.