Perigos da obsolescência programada

Enviada em 02/08/2020

Obsolescência programada é a estratégia utilizada pelas indústrias que consiste em diminuir o ciclo de vida útil do produto a fim de assegurar o consumo contínuo. Entretanto, essa tática capitalista é extremamente abusiva, o que ocasiona degradação ambiental e o consumismo desenfreado. Nesse sentido, é urgente medidas eficientes do Estado cujo objetivo seja a preocupação com a consciência ambiental e a independência das pessoas para que elas não fiquem vulneráveis a esse sistema.

Apesar do avanço tecnológico ocorrido na sociedade contemporânea, os produtos são de qualidades inferiores em questão de durabilidade se comparado ha 50 anos atrás, uma vez que antes eles eram produzidos com o objetivo de durarem por um longo período de tempo. As empresas alteraram essa perspectiva de mercado para que a mercadoria se torne obsoleta rapidamente ou apresente defeitos depois do prazo de garantia estabelecido, o que obriga o consumidor a adquirir um novo produto. Em vista disso, ocorre uma grande produção de lixo eletrônico e tóxico, gerado pelo consumismo desenfreado, afetando de maneira devastadora o meio ambiente. A principal razão para esse fato ocorrer é o descarte de resíduos sólidos em locais inapropriados por causa da falta de informação sobre a maneira correta de descarte.

Outro ponto essencial a ser considerado é a existência da obsolescência psicológica. Em primeiro lugar, as indústrias de eletrônicos, como os “Smartphone” lançam todo ano modelos novos e por meio da publicidade e do comportamento social pressionam as pessoas a adquirirem as novidades do mercado. Cria-se a ideia de que para ser aceito na sociedade é preciso ter sempre o modelo mais atual, o que fica claro que os valores relacionados aos bens materiais se sobressaem sobre a essência do ser. Em segundo lugar, a aquisição desses produtos geram apenas uma felicidade momentânea. Essa ideia imposta pelo mundo capitalista de que algo se tornou ultrapassado acarreta o excesso de produção de lixo e o desperdício.

Torna-se claro, portanto, que a prática da obsolescência programada no Brasil precisa ser revista. Nesse sentido, cabe ao INMETRO(Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) o teste da longevidade dos produtos e, a partir disso, a criação de um selo que informe aos consumidores a respeito da durabilidade do produto, como já ocorre em relação ao consumo de eletricidade dos eletrodomésticos. Ademais, é necessário que a prefeitura de cada cidade, em parceria com as indústrias locais, crie um sistema de recolhimento e reciclagem de produtos industrializados, a fim de reduzir o consumo de recursos naturais. Destarte, poder-se-á reduzir a liquidez das relações entre a indústria de bens de consumo e a sociedade e, finalmente, construir um país com valores mais sólidos.