Perigos da obsolescência programada

Enviada em 02/08/2020

É possível se dizer que tal método tenha tido suas origens a partir da Grande Depressão de 1929, onde os fabricantes que estavam assolados pela crise perceberam que produtos duráveis desfavoreciam o mercado, visto que, reduziam o consumo. Tal modelo de pensamento ganhou ainda mais intensidade conforme o passar dos anos, influenciado pelo sistema capitalista, fazendo com que empresários o adotem a fim de manter a média de venda e lucro utilizando da chamada obsolência programada, garantindo que seus produtos se tornem rapidamente ultrapassados ou não-funcionais. Porém, esta prática não deve ser tratada com indiferença, uma vez que causa impactos diretos com o meio ambiente, gerando um acúmulo progressivo de lixo eletrônico.

É preciso ressaltar que a quantidade do e-lixo produzido no Brasil é alarmante. Baseado em um  estudo da Global e-Waste Monitor 2017, o país assume liderança na América Latina na produção deste tipo de lixo, gerando, de  acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 1,5 mil tonelada anualmente. Tais estatísticas o fazem ser o sétimo maior produtor de lixo do mundo. O maior impacto acarretado por este crescimento gradativo é no âmbito ambiental, pois o descarte destes resíduos é realizado, na maioria das vezes, de forma inadequada devido  ao descarte inapropriado destes materiais, que possuem substâncias tóxicas que se liberadas podem contaminar diretamente o solo e águas subterrâneas e adoecer faunas e floras, comprometendo também a saúde da população.

Todavia, as formas de eliminação destes eletrônicos não possuem uma ampla divulgação midiática,  o que faz com que a população não possua a devida informação acerca das propriedades nocivas presentes em tais aparelhos, levando a formação de indivíduos que não proporcionam a atenção necessária que estes materiais exigem ao serem descartados. Além deste fato, há também a carência de postos de coleta, que não são igualmente distribuídos e nem atendem toda a demanda que o  país produz.

Com base nos fatos apresentados, cabe ao governo desenvolver e aplicar medidas para a implementação de programas municipais de descarte apropriado deste tipo de lixo para que sejam disponibilizados maiores quantidades de postos de coleta a fim de proporcionar o destino devido a estes aparelhos. Ademais, é preciso uma parceria das prefeituras municipais com a mídia para que através de propagandas, cartazes, jornais e campanhas seja possível conscientizar a população acerca do consumo e descarte a fim de minimizar os impactos ambientais causados na sociedade.