Perigos da obsolescência programada

Enviada em 03/08/2020

Entende-se como obsolescência programada o ato de, propositalmente, reduzir a vida útil dos produtos, tornando-os ou obsoletos ou inutilizáveis pouco tempo após serem lançados no mercado, fazendo com que sejam rapidamente descartados após a compra. Por consequência desse ciclo, surge o problema da produção de lixo descontrolada, um problema recorrente de escala global.

De acordo com o relatório publicado pela International Solid Waste Association (ISWA), o mundo, no ano de 2019, bateu o recorde de produção de lixo eletrônico com 53,6 milhões de toneladas, equivalente a 7,3 quilos por habitante no período de um ano, chegando a 16,2 quilos por habitante da Europa. Neste mesmo sentido, em outra pesquisa feita pela ISWA em parceria com outras instituições, especula-se que no ano de 2030 o mundo deverá produzir em torno de 74 milhões de toneladas, aumentando em quase 20 milhões num período de apenas 10 anos, provando que a geração de resíduos no mundo tende apenas a aumentar ao longo do tempo e que, se não houver uma forma de descarte eficiente e sustentável, acarretará numa provável crise ambiental.

Porém, como dito em um jargão que ficou popular entre os economistas americanos: “um produto que não se desgasta é uma tragédia para os negócios”. Nesse contexto, entende-se que a mentalidade das empresas é apenas receber lucros, mesmo que tenham de optar por métodos como diminuir, propositalmente, a vida útil de um produto, expondo uma característica própria da sociedade atual, onde é visado apenas o que se pode obter, ignorando as adversidades que algumas ações podem causar.

Logo, fica claro que uma intervenção por parte do governo faz-se necessária para combater a situação e alterar o cenário atual. No caso do Brasil, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) deve incentivar o descarte correto do lixo em postos de coleta e locais próprios para isso, expondo por meio de campanhas e anúncios o que deve ser feito, fazendo que, assim, o número de descartados, após separados corretamente, serão desmontados e utilizados de forma correta. Ademais, o governo deveria criar uma lei que obrigasse as empresas a criar postos de coleta que aceitassem os rejeitos eletrônicos, aumentando as hipóteses da diminuição de poluição ambiental. Com esses pontos em mente, a sociedade sofrerá um aumento na qualidade de vida, diminuindo os poluentes e os impactos que causam a degradação ambiental, criando, assim, um mundo mais saudável.