Perigos da obsolescência programada
Enviada em 18/09/2020
Após a crise de 1929,resultado da grande depressão na economia mundial,algumas indústrias responsáveis pela produção de eletrodomésticos e outros utensílios,começaram a fabricar produtos com o tempo de vida útil menor.Nessa perspectiva,manifesta-se no cenário mundial o descarte exacerbado de objetos,em virtude da obsolescência programada que incita o consumismo em massa,à medida que viabiliza no mercado produtos com prazo de validade.Nesse contexto,urge analisar como o sistema capitalista e os hábitos de consumo da sociedade civil impulsionam tal problemática.
Convém ressaltar,a princípio,que a obsolescência planejada está intrinsecamente relacionada à lógica de mercado do sistema capitalista.De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente,a indústria da tecnologia produz 41 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano.Nesse viés,percebe-se a influência mercadológica nos hábitos de consumo dos indivíduos,visto que os grupos dominantes do capitalismo lançam no âmbito social produtos programados para apresentarem defeitos em um curto período de tempo e,concomitantemente,serem substituídos por itens considerados mais atuais.Por conseguinte,os interesses burgueses intensificam a degradação do meio ambiente,à proporção que instigam o mercado consumidor a comprar mais produtos.
Outrossim,vale salientar ,ainda,que os hábitos de compras dos indivíduos corrobora para a continuidade de objetos obsoletos no âmbito social.Consoante ao sociólogo Zygmunt Bauman,em sua obra “Vida para consumo”,a condição fundamental para a existência humana é o consumo.Sob tal ótica,na sociedade pós-moderna,com o advento das redes sociais,ocorre um estímulo de consumo que acarreta nos cidadãos práticas compulsivas de compras de utensílios com vida útil.Tal panorama aliada à publicidade abusiva nos veículos de comunicação propicia a propagação de produtos que terão poucas utilidades para os sujeitos sociais,ao passo que rapidamente serão trocados por outros.Dessa forma,a sociedade civil desenvolve uma dependência por itens obsoletos.
Infere-se,portanto,que é imprescindível adotar medidas para minimizar o impacto da obsolescência programada na esfera social.Logo,cabe ao Ministério da Educação - órgão do Estado responsável pela diretrizes educacionais - promover palestras nas escolas,para toda a comunidade escolar,as quais elucidem e orientem os discentes acerca da influência comportamental de práticas de consumo propiciadas pelos grupos dominantes do capitalismo e dos mecanismos tecnológicos.Isso deve ser feito por meio de profissionais capacitados,como psicólogos e sociólogos,a fim de instruir os indivíduos a terem hábitos de consumo mais consciente.