Perigos da obsolescência programada

Enviada em 18/09/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange à questão da obsolescência programada, em que ocorre a limitação da vida útil do produto. Diante disso, observa-se que essa problemática reflete um cenário desafiador, já que há uma ineficácia das leis que protegem o meio ambiente, o que, consequentemente, gera uma produção exacerbada de lixo.

Em primeira análise, deve-se destacar que o Poder Público falha ao cumprir seu papel como agente fornecedor de leis eficiente, o que contribui para a degradação do ambiente. Nesse sentido, de acordo com o Jornal Folha de São Paulo, em 2019, o descarte de produtos tecnológicos em locais impróprios aumentou cerca de 27% na última década, o que totalizou aproximadamente 7 toneladas de objetos obsoletos. Tal postulado ratifica a negligência do Estado no que concerne às políticas públicas voltadas para a preservação, visto que seu dever é viabilizar ações que garantam a conservação do meio ambiente e que impeça esses atos.

Por conseguinte, vale salientar o acúmulo de lixo, em detrimento do consumo exagerado da sociedade, posto que há uma manipulação dos indivíduos. Nessa perspectiva, conforme os sociólogos Adorno e Horkheimer, no conceito de Indústria Cultural, o maior objetivo das empresas é gerar lucro por meio da influência nos grandes canais de lazer e comunicação, como, por exemplo: filmes e programas televisionados. Sob tal ótica, percebe-se que o consumo está intrinsecamente ligado a aspectos de manipulação das massas, o que corrobora para o aumento do lixo e destruição da fauna e flora, evidenciado no filme “Wall-e”, em que o mundo estava completamente destruído, amontoado de lixo tecnológico e inabitável para os humanos. Logo, é preciso uma intervenção para que essa questão seja modificada.

Portanto, para que haja uma redução nesse cenário de obsolescência programada, é imprescindível esforço coletivo entre o Estado e as comunidades. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com instituições midiáticas, propor uma reeducação sociocultural dos cidadãos brasileiros. Tal ação deve ser propagada por meio de campanhas educacionais, em jornais, livros, palestras nas escolas e em redes sociais, com o intuito de conscientizar a população acerca da obsolescência. Por tudo isso, será possível caminhar para um país que visa mais um desenvolvimento sustentável.