Perigos da obsolescência programada
Enviada em 27/10/2020
O controle da vida útil das mercadorias é uma realidade mundial desde a Crise Econômica de 1929, uma vez que os empresários aplicaram essa técnica para reduzir os efeitos da crise instaurada. Dessa forma, hodiernamente, a obsolescência programada traz diversos perigos, pois é um dos principais resquícios da Grande Depressão e continua a se propagar nos meios produtivos. Nessa vertente, essa conjuntura provoca o consumo em massa de produtos programados e, consequentemente, aumenta os problemas ambientais.
Em primazia, a busca pela adequação social torna a aquisição desses objetos modo de aumentar seu prestígio na sociedade. Consoante a Jacques Lacan, psicanalista francês, em sua teoria Estágio do Espelho, afirma que as pessoas constroem sua personalidade a partir da imagem de outros. Sendo assim, essa realidade espelhada conduz os indivíduos a consumir de forma exacerbada uma variedade de produtos, principalmente, os eletrônicos. Por consequência, as mercadorias relacionadas com a tecnologia sofrem mudanças rápidas e a mídia induz o consumo desenfreado, mesmo que não seja uma necessidade real do consumidor, mas de um padrão social imposto e dissipado socialmente, como explica Lacan.
Outrossim, a ampliação da produção de lixo eletrônico e o descarte incorreto acarreta inúmeros malefícios ao meio ambiente. À guisa de Platão, filósofo grego, o ser humano está aprisionado com seus conceitos vistos como imutáveis e ele deve se libertar para encontrar a verdadeira consciência. Nesse contexto, as políticas brasileiras para produzir menos lixo não são eficazes, assim como o descarte, sendo o Brasil considerado o maior produtor de lixo eletrônico da América Latina, segundo a ONU. Dessa feita, a obsolescência programada contribui negativamente o ambiente e sua preservação nas últimas décadas e aprisiona cada vez mais o ser humano.
Em suma, essa conduta perigosa deve ser mitigada na atualidade. Dessa maneira, o Governo Federal, em parceria com o MEC, deve ofertar simpósios nas instituições de ensino com especialistas sobre o consumo, colocando ainda nas redes sociais por meio de transmissões ao vivo, com o intuito de mostrar as consequências do consumo exagerado, sem necessidade e introduzir a ideia de sustentabilidade. Ademais, cabe ainda estabelecer leis que garantam o descarte correto e fiscalização continua, além de fazer o controle do desenvolvimento desses produtos. Destarte, com essas medidas, os efeitos nocivos persistentes desde a Crise de 29 possam ser amenizados na atualidade.