Perigos da obsolescência programada

Enviada em 24/12/2020

Na série animada “Os Simpsons”, o personagem Homer comprou um tablet de última geração, mas em pouco tempo se sente enganado ao saber que ele ficou ultrapassado e não executava mais os mesmos aplicativos. De fato, casos como o dele não se limitam a cenários fictícios e refletem como os consumidores são lesados com a rapidez que as tecnologias saem de linha. Nesse sentido, debater acerca dos perigos da obsolescência programada é pertinente ao contexto moderno. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que usar diversos artifícios para manter o estoque zero é uma das bases do capitalismo e esses métodos faz com que a sociedade produza cada vez mais lixo.

Deve-se pontuar, antes de tudo, que com o advento da Revolução Industrial e a consolidação do capitalismo, as indústrias foram conduzidas pelo propósito de produção em massa. Logo, presume-se que os donos dos meios de produção não tinham como aumentar o mercado consumidor, mas podiam promover a obsolescência programada para que as pessoas comprassem o mesmo produtos várias vezes. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, na Era da informação nada é feito para durar. Nessa lógica, é válido afirmar que a tendência observada pelo pensador faz com que os indivíduos sejam coagidos a comprarem produtos menos funcionais o que os leva a trocá-los constantemente.

Ademais, a rápida substituição dos produtos no mercado e a criação da necessidade nos consumidores de trocá-los com a mesma agilidade faz com que a sociedade moderna produza muitos dejetos. Dentre esses efeitos, em 2015 diversos se cometeram em realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), nos quais uma das metas é promover o consumo responsável e diminuir a quantidade de lixo gerado. Por certo, enquanto os Estados não limitarem a obsolescência programada na mercadorias, cumprir esse acordo internacional será inviável. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos.

Torna-se evidente, portanto, que casos como o do Homer não podem continuar a ser reflexo da sociedade moderna. Assim, é necessário que cada país trabalhe essa questão internamente, no caso do Brasil, cabe ao Ministério da Tecnologia, com ações dos Programas de Proteção e Defesa do Consumidor locais, limitar a obsolescência programada nos produtos, por meio de um regulamento próprio voltado a essa prática, com o intuito de aumentar a durabilidade das mercadorias. Além disso, as grandes empresas de tecnologia precisam dar um destino adequado aos produtos que não possuem mais serventia, por intermédio de campanha para o recolhimento deles. Enfim, a partir dessas ações, o  Estado diminuirá a quantidade de lixo gerado conforme acordado com a ONU.